Morreu Ennio Morricone

 

 

O que diretores como Quentin Tarantino, Roman Polanski, Terrence Malic, Giuseppe Tornatore e Bernardo Bertolucci têm em comum? Todos eles escolheram o compositor e maestro italiano Ennio Morricone para compor e executar a trilha sonora de algum filme seu em algum momento de suas carreiras. E Ennio, vencedor de dois Oscars e outros inúmeros prêmios ao longo da carreira, morreu hoje, aos 91 anos, em Roma. Ele quebrou o fêmur no mês passado e estava internado em uma clínica desde então.

 

Tive a chance de ver Morricone ao vivo no Teatro Municipal do Rio. Foi em 2007, num espetáculo em que ele reviu várias peças de sucesso em sua carreira, acompanhado pela Orquestra Petrobras Sinfônica. Responsável pela trilha sonora de mais de 400 filmes e autor de pelo menos 100 óperas, o italiano que levou naquele ano o Oscar honorário pelo conjunto da obra veio à cidade para participar do Música em Cena, o primeiro Encontro Internacional de Música de Cinema.

 

Sua obra é muito vasta e vários momentos me emocionam profundamente. Não sei escolher entre, por exemplo, as trilhas de “A Missão” e de “Cinema Paradiso”, mas talvez a última, para o filme de Giuseppe Tornatore, lançado em 1990 aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e da Palma de Ouro em Cannes, seja seu momento dourado e inquestionável para muita gente da minha idade. É um filme que não vejo há muito tempo porque, talvez desde antes de sua metade, ele já me faça chorar copiosamente.

 

Para fãs mais velhos, no entanto, Morricone era mais conhecido por suas composições feitas em trilhas sonoras de Westerns Spaghettis, filmes italianos produzidos, tendo cowboys e dramas ambientados no século 19 americano. A partir de 1964 ele passou a colaborar com o diretor Sergio Leone, vindo a compor os temas de ” A Fistful Of Dollars”, mas foi com “The Good, The Bad And The Ugly”, de 1966, que ele se tornou uma espécie de expoente na área.

 

Minha canção predileta de Morricone vem deste ambiente empoeirado. Ainda que eu tenha dificuldade em escolher “A Missão” ou “Cinema Paradiso” como trilhas mais queridas, é de um filmeco da série produzida por Terence Hill e Bud Spencer que vem a bela, sensacional e lúdica “My Name Is Nobody”, que eu ouvi em algum momento da minha infância e nunca mais deixei de amar. O filme foi lançado em 1973.

 

Que o maestro descanse em paz e logo assuma alguma orquestra celestial que seja digna de entoar suas melodias belíssimas por toda a eternidade.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

Um comentário em “Morreu Ennio Morricone

  • 6 de julho de 2020 em 09:09
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    Que ano terrível!!! Tantas perdas….

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