Manifesto

How can you be an artist and not reflect the times? – Nina Simone

Antes de você se aventurar por estes links, textos, fotos e tudo mais, sugiro dar uma lida nestas linhas, pois elas vão te explicar as intenções deste site e sua proposta. Ao fim de sua leitura, você saberá exatamente do que se trata e vai poder decidir se dá crédito ao que pretendemos fazer aqui. Portanto, recomendamos que preste atenção.

Carlos Eduardo Lima escreve profissionalmente sobre música há 23 anos. É um tempo grande o suficiente para ver muita coisa mudar. Revistas, por exemplo: elas já não existem mais, pelo menos aqui no Brasil. E lá fora, apesar de resistirem bravamente em países como França, Estados Unidos e Inglaterra, são cada vez mais finas. Isto é produto do nosso tempo, da mudança de paradigma constante na transmissão da informação. Tal fato afetou não só o jornalismo especializado sobre música e cultura pop em geral, mas a própria produção de discos, singles, filmes. Tudo parece feito de modo a capturar a atenção do ouvinte/espectador no menor tempo possível; do contrário, nada feito. Tal imediatismo acarreta não só uma dispersão por parte do ouvinte/espectador, como reconfigura tudo no que diz respeito à análise dessas obras produzidas. É aqui que entra a Célula Pop. E entra porque não acreditamos nisso e nos dispusemos a enfrentar a ordem estabelecida, mesmo sabendo dos riscos.

Acreditamos em mais coisas também.

Acreditamos, por exemplo, que uma curadoria de assuntos faz a diferença. Este site não vai se ater apenas à novidade hypada lá fora, com cara de anos 80/90, que se beneficia desta lógica exposta mais acima. Se falarmos desses novos artistas, será para conectá-los com sua origem e expor essa linhagem, oferecendo ao leitor a chance de conhecer mais. Nada de reduzir décadas – por exemplo, os anos 90 não foram só do grunge e do britpop -, pelo contrário, aqui elas serão expandidas.

Podemos falar de artistas e bandas que já estão “velhos”.

Repudiamos essa busca pela novidade como se ela fosse a cenoura à frente do cavalo. O ineditismo não é necessariamente cronológico e aqui você vai ver isso bastante. Há discos produzidos, sei lá, em 1971, que você nunca ouviu e desconhece completamente a existência. E neles podem estar canções que vão salvar sua vida ou dar a ela um novo sentido. Vamos te mostrar.

Acreditamos na pessoa que gosta de música. Há muita gente desamparada por aí. Gente que costumava ler, comprar revistas, ler seções de lançamentos de discos nos jornais e que as viu sumir e/ou diminuir diante dos seus olhos. Vamos trazer isso de volta, oferecendo links para sites e/ou serviços de audição em streaming, te dando a chance de ouvir o objeto da resenha/análise imediatamente. Não é só isso: as resenhas não serão longas, imensas, mas trarão o que você precisa para conhecer artistas novos e rever velhos conhecidos, que continuam na ativa.

Aliás, uma dica desde já: se você gosta de música mesmo, assine um Spotify ou um Deezer ou algo assim. Eles são a melhor maneira de ouvir música atualmente e contra isso não adianta lutar. Vamos lutar contra quem dá valor a lançamentos de discos de bandas nacionais em vinil por 200 reais em detrimento de outros formatos.

A Célula Pop tem um diferencial:  a escrita. Após uma aventurança nos caminhos do estudo da História, é impossível não enxergar uma nova forma de abordar discos, filmes, músicas e tudo o que envolve este universo. E é impossível não inserir uma variante decisiva nesta análise: o transcorrer do Tempo. Ele transforma tudo e modifica a percepção que temos do mundo e de tudo que está contido nele, incluindo aí as pessoas que fazem música, o que as motiva e o que define sua criatividade. Sem levar o Tempo em conta, qualquer análise fica, automaticamente, inócua e destinada ao limbo.

Acreditamos muito em opinião e repudiamos a omissão. Se alguém importante fizer um disco ruim, lançar um filme péssimo, você lerá sobre isso aqui. A prática usual hoje é o silêncio conivente, na base do “se é ruim, não falamos”. Isso é errado. Como esperamos atingir um leitor com senso crítico se oferecermos a ele apenas a visão colorida das coisas? Não.

Acreditamos em coerência também. E em aprendizado. Nada de repetir cacoetes de veículos antigos, especialmente de revistas especializadas que já não existem mais. Com o tempo – sempre ele – foi possível ver o tanto de obscurantismo, preconceito e estreiteza de visão que havia nas análises e nos textos publicados no passado por aqui. A Célula terá espaço para tudo, nada de olhar para estilos e gêneros musicais engajados com causas sociais específicas e fazer vista grossa convenientes para seus sentidos. Nada de pegar só “o que interessa” e deixar de lado uma história de luta e sobrevivência em nome de uma esperteza jornalística. Aqui não.

A música, assim como toda obra de arte, é produto do seu tempo e da sociedade. Tal fato é uma verdade histórica, que muda de referencial à medida que o tempo vai passando. Sendo assim, a música feita hoje, é produto de hoje e contem vários significados e traços identitários que a tornam o que é. A música também contém instâncias políticas de todos os tipos, não só as partidárias, mas as que demonstram o que seus criadores e receptores pensam e são. Tais questões estarão sempre presentes quando estiver falando de discos, músicas e artistas na Célula Pop. Ignorar isso é o maior erro que o jornalismo musical comete.

Abaixo a imobilidade. Nada de ficar lamentando a falta das lojas de discos ou o quão legal era fazer isso ou aquilo que já não se faz mais. A ideia por aqui é aproveitar tudo de bom que a tecnologia tem para oferecer e usar tais ferramentas como facilitadores para atingir o leitor e – humildemente – inspirá-lo a ouvir novas músicas e artistas/bandas. É disso que se trata, afinal.

Para que isso aconteça, a ideia é colocar conteúdos novos diariamente, com a merecida folga de fim de semana. Teremos resenhas, artigos, playlists, pequenos guias, notícias, especiais, entrevistas e uma despeitada despreocupação com o hoje/agora/já a qualquer custo. Vamos esticar a vida das coisas o máximo possível. Teremos humor, mas não será só isso. Também teremos senso de humor. O objetivo é a coerência e o compromisso com a informação. E com você. Queremos ver você conhecendo músicas, artistas, sorrindo com as indicações. Isso muda vidas.

Por fim, de acordo com as regras atuais do jogo, Célula Pop terá newsletter, podcast e, no futuro, uns vídeos. A ideia é colocar dois podcasts para audição/download, o Atemporal e o História Por Música, ambos com duração de 30 minutos a uma hora. O primeiro será um pequeno programa de rádio, produzido e apresentado por mim. Vou mostrar discos novos, velhos, falar de assuntos no site, bater papo com você. Será legal, tenho certeza.

O História Por Música, apresentado por CEL e por Julio Jacob, será mais voltado para a articulação da música popular com eventos históricos, projeto desenvolvido academicamente, procurando facilitar a compreensão do estudo da própria História. Vamos falar de músicas, relacioná-las com situações do cotidiano e conectá-las com fatos da história do país e do mundo. Vocês nem imaginam a quantidade de informações interessantes que surgem desta articulação. Vamos falar sobre tudo isso.

É isso. Célula Pop é mais ou menos como está descrito neste texto. Intenções apresentadas, vamos ao trabalho. É um prazer ver você por aqui.

Carlos Eduardo Lima e Equipe Célula Pop

Niterói, 2019.


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