Bruce Hornsby e o estado de bem estar social

 

 

Bruce Hornsby, cantor, compositor e excelente pianista, gravou seu primeiro álbum em 1986 e fez imenso sucesso com esta canção sobre a injustiça das diferenças sociais e raciais, usando a expressão “the way it is” (algo como “é assim mesmo”) como algo que é dito para dizer que “as coisas são como elas são”. No caso da letra, as questões aqui são o desemprego, o racismo e o que as pessoas podem fazer para resistir ao achatamento econômico imposto pelo neoliberalismo, já colocado em curso naquele tempo, em que os Estados Unidos viviam o segundo mandato do presidente Ronald Reagan.

 

Hornsby nasceu no sul do país, mais precisamente no estado da Virginia, mas, graças à mãe, teve uma criação bem diferente do normal quanto a questões sobre racismo e igualdade. Além do viés dos direitos civis, a letra fala sobre a expressão “welfare dime”, algo como “migalha da previdência social”, criticando a política de enfraquecimento da política de defesa dos trabalhadores e desempregados, sempre colocada em risco pelo neoliberalismo, que é contrário ao uso de recursos em outra instância econômica que não seja a produção, pouco se preocupando com os trabalhadores.

 

“The Way It Is” teve alta rotação nas paradas, mostrando que uma canção pop clássica pode ter mensagem e conteúdo políticos sem que sua vendagem seja prejudicada por isso. O fraseado de piano de Hornsby é só uma amostra do talento que ele possui. Hoje em dia ele tem uma carreira sólida na área do Jazz.

 

Apenas para situar o leitor em termos atuais: o estado de bem estar social, modalidade de capitalismo que prevê uma atuação maior do governo na economia, prevê várias salvaguardas como seguro-desemprego, programas de incentivo à habitação, subvenção de tarifas de energia. Bernie Sanders é o seu maior entusiasta nos Estados Unidos atualmente. O obscurantismo dos tempos atuais o colocam como “socialista” ou mesmo “comunista”, mas Bernie é um bom capitalista. Algo raro. E bom neste momento.

 

 

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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