Apresentamos quatro artistas brasileiros e pretos

 

 

A Célula Pop, como não poderia deixar de ser, está celebrando e dando espaço para o Mês da Consciência Negra. E como estamos fazendo isso? Já postamos sobre os 30 anos do segundo disco de Ed Motta, “Um Contrato com Deus”; já colocamos uma playlist de 53 canções de artistas negros de vários estilos e procedências e, além disso, publicamos uma entrevista com João Biano, cantor carioca e preto, sobre seu novo lançamento. Agora, dando prosseguimento, a gente quer recomendar quatro artistas brasileiros, que têm, tudo para agradar os mais exigentes gostos. Aliás, os quatro vêm de procedências diferentes, estilos distintos e são unidos pelo engajamento, a consciência e a negritude. Sendo assim, a gente tem a honra, pede a licença para recomendar.

 

 

Black Pantera – banda de Uberaba, Minas Gerais, que lançou neste ano a impressionante canção “I Can’t Breathe”, sobre o assassinato de George Floyd e que, exatamente hoje, coloca nos serviços de streaming o EP “Capítulo Negro”, com três covers incendiárias: “Identidade”, de Jorge Aragão; “Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro” (Rappa) e “A Carne”, famosa na interpretação de Elza Soares. O tom é de força e vigor, mostrando que estamos diante de uma banda moderníssima, arrojada e consciente.

 

Zé Manoel – responsável por um dos discos mais belos e dolorosos de 2020, Zé Manoel é um talento em pleno desabrochar. Suas melodias, suas letras, a força de sua interpretação ao piano, tudo é impressionante em “Do Meu Coração Nu”, o álbum que ele lançou. Destaque absoluto para “História Antiga”, desde já, uma das canções mais lindas de um ano tão estranho, mas é da adversidade que surge a superação.

 

 

Maíra Baldaia – Depois de dois discos, Maíra Baldaia lança um EP “Remixe-se”, trabalho permeado pelo afro pop mineiro. Essa mulher, além de cantautora, é atriz, modelo e diretora de comunicação. Em uma fluidez dançante, Maíra presenteia o público com músicas que celebram tambores e suspendem no ar uma aura repleta de ancestralidade africana. Em “Remixe-se”, ela revisita três músicas próprias de trabalhos anteriores e Tempoiô, single de 2020. Com força, empoderamento e muita competência. Maíra revisita essas faixas e dá a elas vibração, beats com a base no tambor mineiro. “Remixe-se” é um EP que vem fechar 2020 com energia, vontade e muito axé

 

 

Ilessi – Com mais de 20 anos de carreira, a cantora carioca Ilessi entrega um álbum que é o grito de inúmeras de nós em uma sociedade de cultura de estupro, dominação dos corpos e vozes e espíritos. “Dama de Espadas” é seu quarto álbum e o primeiro trabalho autoral e um disco poderoso, sensível e forte. A faixa de abertura, que dá nome ao disco, carrega uma força que pega de jeito e uma pegada intimista, um blues forte, como é a raiz da música negra. É sobre nós mulheres e tudo que que podemos ser, correr lobos, velejar, mergulhar e molhar em si, é sobre nós que sentamos na cadeira amarela de um bar e bebemos sozinhas, é sobre a nossa potência. Dama de Espadas é uma parceria com Iara Ferreira e é o retrato da mulher que faz sexo com quem quiser, toma a cerveja que quiser e sente o sereno da noite e a fumaça em uma esquina qualquer. Livre e viva, como somos por natureza, mas não por cultura.

 

*colaborou Ariana de Oliveira

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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