André Midani (1932-2019)

 

 

André Midani morreu ontem, quinta-feira, dia 13 de junho. Estava internado na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea, na Zona Sul do Rio, ao lado de sua casa. Midani tinha câncer.

André Haidar Midani nasceu em 25 de setembro de 1932 em Damasco, Síria. Morou também na França e na Argélia e, por conta do início da guerra pela independência do país, veio para o Brasil aos 23 anos, em 1955.

Podemos colocar na conta dele o lançamento da Bossa Nova como ritmo de alcance mundial, dentro do contexto das sonoridades exóticas que embalavam os Estados Unidos na época – fim dos anos 1950/60.

“Agora, o grande legado cultural da Bossa Nova foi ela ter ganho o mundo. Os Estados Unidos, o Japão, a França, a Itália, porque eles, até hoje, escutam e trabalham a Bossa Nova”, disse em entrevista recente.

Midani foi diretor da Phillips – depois Universal – chegando a trabalhar com Elis Regina, Tom Jobim, Gilberto Gil, Belchior, Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso. Foi responsável pela fundação da filial brasileira da Warner Music, em 1977, trazendo para o cast da gravadora, logo de cara, Gilberto Gil. Também apostou no lançamento da Banda Black Rio, chegando a ter Dom Filó, importante ativista do circuito dos bailes de subúrbio, como diretor da gravadora.

Nos anos 1980, sua visão de mercado foi decisiva para o rock brasileiro, contratando nomes como Lulu Santos, Titãs, Kid Abelha, entre outros. Na década seguinte, assumiu a presidência da Warner para a América Latina.

Midani voltou ao Brasil no começo dos anos 2000.

Tive a chance de entrevistá-lo há alguns anos, por conta das pesquisas mara minha dissertação de mestrado na História-UFF. Ao perguntar para ele quem era o grande artista brasileiro com quem havia trabalhado, dentre todos com quem lidou, Midani pensou um pouco e cravou:

– Jorge Ben. Ele é diferente de tudo o que eu já vi na vida.

Obrigado, Midani. Descanse em paz.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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