“What’s Going On” ganha novo clipe e segue tristemente atual

 

“What’s Going On” é um clássico da música do século 20. No futuro, se ainda estivermos vivos, ela será lembrada como um marco cultural. Por conta do lançamento do disco ao vivo de Marvin Gaye, gravado em 1972, em Washington – do qual falamos há poucos dias – foi rodado um novíssimo clipe com a canção.

 

Se a canção foi gravada por conta de uma crise externa – Guerra do Vietnã – e outra interna – questões dos direitos civis dos negros – agora ela vem dar voz e encontrar sentido na dura batalha que os americanos mais pobres vêm travando contra desemprego, atendimento médico e falta de água. As razões a gente já sabe: a imposição do neoliberalismo como modelo vigente do capitalismo, no qual não há mais atenção às instâncias mínimas de serviços públicos gratuitos. Desejar a volta de uma versão mais branda do capitalismo – que já existiu, chamada Estado de Bem Estar Social – não é “ser comunista”, mas garantir a sobrevida de milhões de pessoas que, por conta da desigualdade, precisam de ajuda do Estado e da sociedade.

 

A diretora do clipe, Savannah Leaf, deu uma declaração sobre sua realização e a importância da música de Marvin Gaye neste momento.

 

“Filmamos ‘What’s Going On’ em Detroit e Flint, Michigan, porque queríamos um lugar que combinassem com a música e a história da Motown, e que fossem relevantes para as questões sociopolíticas do videoclipe.

 

O videoclipe levou quatro dias para filmar, mas viajei para Michigan algumas semanas antes para encontrar as pessoas certas. Era muito importante encontrar pessoas reais que dessem veracidade às histórias, em vez de escalar atores. Queríamos que a história da música e as comunidades em que filmavamos aparecessem em nosso vídeo. Por exemplo, Steve Smith, que interpreta o cego em nosso videoclipe, trabalhou na Motown quando o disco ‘What’s Going On’ foi originalmente gravado, em 1971. A igreja em que filmamos foi um dos primeiros lugares a disponibilizar uma estação de água para a comunidade de Flint – eles distribuíam água potável e conscientizavam-se da crise em curso na comunidade.

 

Além de Steve Smith, tivemos a oportunidade de apresentar outras figuras influentes da comunidade em nosso videoclipe, incluindo Karen Weaver, a prefeita de Flint, e ativistas fundamentais que estão envolvidos na crise da água da cidade há muitos anos. Uma dessas ativistas em nosso videoclipe se chama Ariana Hawk, que, junto com seu filho pequeno, foi destaque na capa da Time durante o auge da crise da água. Ela acabou se mudando de Flint, apenas para retornar, a fim de continuar a luta por sua comunidade. Até hoje, a crise da água não foi resolvida, e Ariana continua sendo uma forte ativista do movimento.

 

“O ponto é que essa é uma música foi feita para um momento importante da história, e o mais bonito é que sua mensagem é atemporal e universal. É sobre emoções humanas, relacionamentos humanos e união. Minha esperança é que nosso vídeo musical lembre as pessoas a continuarem fazendo a pergunta que Marvin Gaye fez em 1971.” – 

 

Diretor: Savanah Leaf
Produtores: Danielle Hinde / Danny Lockwood / Rich Hutchins / Jason Cole
Prod Co: Doomsday Entretenimento

 

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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