Toots Hibbert, RIP

 

 

Morreu ontem em Kingston, Jamaica, vítima da covid-19, um dos pioneiros do reggae, Frederick “Toots” Hibbert. Ele já estava internado há duas semanas e, há alguns dias, estava em coma induzido. A família divulgou a nota sobre a morte de Toots e, tristemente, ele havia retornado ao disco há algumas semanas, lançando “Got To Be Tough”, após um hiato de dez anos sem apresentar algum material novo. Seu pioneirismo data do fim dos anos 1960, quando praticamente forjou a palavra “reggae” a partir do título de uma de suas canções, “Do The Reggay”. O novo ritmo trazia, além de rocksteady e ska, ritmos jamaicamos por excelência, elementos de blues, gospel e R&B americanos.

 

Toots, ao lado do grupo Maytals, foi um desses artistas que trouxeram o reggae para um lugar de protagonismo nos anos 1970. Admirado por gente como Keith Richards, The Clash e Paralamas do Sucesso, o grupo emplacou o hit “Pressure Drop” na trilha sonora do sensacional filme “The Harder The Come”, estrelado por Toots, produzido por Jimmy Cliff em 1972. Antes do longa, “Sweet and Dandy,” “Monkey Man,” “54-46 (That’s My Number),” e e a própria “Do the Reggay,” já haviam se tornado hits na parada britânica. Foram artistas como Toots que se incumbiram de transformar a música jamaicana e levá-la a influenciar bandas brancas de rock, criando novos estilos, como o Two Tone, que surgiu na Inglaterra, no fim dos anos 1970, em bandas como The Specials, Selecter e The Beat. O próprio The Clash chegou a gravar algumas canções com inflexões reggae.

 

No Brasil a influência de Toots pode ser sentida na tradução que os Paralamas do Sucesso fizeram do estilo, mesclando-o a outras matrizes sonoras, incorporando-o com elemento de destaque em seus álbuns iniciais, especialmente “Cinema Mudo”, de 1983 e “O Passo do Lui”, de 1984. A partir de “Selvagem?”, o grupo carioca já usaria algumas outras inflexões e misturaria tudo isso a influencias caribenhas e brasileiras. O baterista João Barone postou em seu perfil no Twitter:

 

A perda de Toots é gigante. Que descanse na paz de Jah.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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