Pedro The Lion – Phoenix

Gênero: Rock Alternativo
Duração: 45 min.
Faixas: 13
Produção: David Bazan
Gravadora: Polyvinyl

[user 4.0]

David Bazan é o que poderíamos chamar de cronista do cotidiano. Com uma guitarra nas mãos. Ele tem a sensibilidade para ser especialmente eficaz quando fala para gente na casa dos 30 e tantos/40 e poucos, que cresceu mirando um mundo que não aconteceu de fato. Como Pedro The Lion, Bazan exercita sua pena falando sobre política, costumes e sentimentos, sempre com uma visão religiosa dos fatos. Não pense em música gospel ou qualquer forma de catequese. Bazan é desses caras que são religiosos sem necessitar de um padrão, ainda que, até pouco tempo ele tenha sido cristão e tenha desejado se tornar um pastor. Sendo assim, “Phoenix” é o primero disco que ele lança com essa nova/velha perspectiva.

Musicalmente a obra de Bazan é calcada no que chamamos de rock alternativo americano, no mesmo sentido que bandas como Death Cab For Cutie ou Sunny Day Real State, ou seja, guitarras com sentimentos, emoção, nunca emo, pelo menos não no sentido depreciativo que o termo ganhou ao longo dos anos 2000. “Phoenix” tem espaço para olhar para o presente com olhos críticos, mas abraçar o passado com ternura. Vide, por exemplo, a lindeza que é “Yellow Bike”, na qual Bazan lembra de um presente de Natal ganho quando tinha seis anos e o quanto foi difícil aprender a andar nela sem as rodinhas menores, que evitavam a queda. Ele ainda faz um paralelo sobe caminhos, idas e vindas, tudo com a sensibilidade das pequenas coisas, aquelas que, realmente, fazem a diferença.

Outros belos momentos surgem em “Model Homes” – igualmente nostálgica -, propulsionada por belas guitarras, “Quietest Friend”, “Black Canyon” e a épica “Leaving The Valley”, cheia de tensão, andamentos longos e mais bons exemplos de uso eficiente de timbres cortantes de guitarra em meio às letras quase declamadas.

“Phoenix” talvez seja o melhor trabalho de David Bazan como Pedro The Lion e, quem sabe, em toda a sua carreira. Confira.

Carlos Eduardo Lima

Ouça primeiro: “Yellow Bike”

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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