Pato Fu – Música de Brinquedo 2 – Ao Vivo

 

 

Gênero: Rock alternativo
Duração: 72 minutos
Faixas: 17
Produção: John Ulhoa
Gravadora: Deck

5 out of 5 stars (5 / 5)

 

O show “Música de Brinquedo”, do Pato Fu, é um espetáculo superlativo em muitos sentidos. A proposta, o repertório, a cenografia, a participação dos bonecos do grupo Giramundo, o desempenho da banda ao tocar instrumentos de brinquedo, tudo é perfeito. Não se pode condenar um artista por se repetir quando o que ele faz é ampliar um conceito e oferecer, ao mesmo tempo, algo que seu público quer muito. Neste caso, o segundo CD/DVD “Música de Brinquedo” é natural e mais do que bem-vindo.

 

Gravado em Belo Horizonte, este show é um deleite para pais e filhos e tem inúmeras aplicações. É diversão irretocável, para público e banda, e também tem propriedades didáticas, apresentando para as crianças um repertório que vai muito além do usual. A sensibilidade do Pato Fu vai além da estética, ao elaborar um repertório que abre caminhos que vão de Gilberto Gil a Ricky Martin, passando por João Bosco e Titãs. Ou que partem de Raimundos e chegam até Rita Pavone. A abordagem que a banda confere às canções e ao show dá o conceito necessário para que todas as canções soem dentro do mesmo contexto, fazendo sentido e funcionando que é uma beleza. O uso dos instrumentos de brinquedo dá uma sonoridade totalmente fora do comum aos arranjos, mas também funciona como mais um elemento de distinção ao show e ao som que Fernanda, John e companhia conseguem obter ao vivo.

 

Aliás, é algo interessante notar o quanto os músicos do Pato Fu têm habilidade para executar tais arranjos – muito redondos no estúdio – com a mesma técnica e garra. Fernanda Takai, que tem sua voz tradicionalmente em registros baixos, se mostra a grande cantora que é. Esse traço aparece especialmente na autoral “Depois”, que surge, anunciada por John, como “a canção mais fofa do repertório da banda”. Aliás, o cuidado com a apresentação das canções “apropriadas” para o público infantil é notado o tempo todo, como em “I Saw You Saying”, dos Raimundos, anunciada como “a única canção da banda que não tem palavrões”. Faz sentido e funciona lindamente no palco.

 

Também há espaço para o rock dentro de algo tão lúdico. “Private Idaho”, dos B-52’s, surge com o riff característico de guitarra e os tecladinhos originais. O tema de “Super Mario Bros” serve para que os integrantes da banda sejam apresentados ao público e achados como “Não Se Vá”, da dupla romântica Jane e Herondi, bem como “Severina Xique-Xique”, famosa com Genival Lacerda, também dão as caras como ótimas surpresas no roteiro. Outro resgate autoral bacana é o ressurgimento de “Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!”, do disco “Toda Cura Para Todo Mal”, de 2005.

 

Se você ainda considera presentear pessoas queridas de várias idades com um CD ou DVD, não hesite em escolher este “Música de Brinquedo 2 – Ao Vivo”. É algo absolutamente genial e que não perde um milímetro por não ser algo “novo”. Parabéns ao Pato Fu e ao Giramundo por esta belezura.

 

Ouça primeiro: “Private Idaho”

 

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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