Coringa: Histórias Que Você Precisa Ler

 

 

Não se fala em outra coisa: Coringa. Que tal um pequeno guia de onde encontrar o vilão em quadrinhos clássicos e emblemáticos? Vamos lá.

 

Personagem que é a vil contraparte de um dos heróis mais populares do planeta, o Coringa é quase tão reconhecido quanto o dinâmico cruzado embuçado de orelhas pontudas. Durante as longas décadas de rivalidade entre os dois, uma quantidade impressionante de histórias foi produzida. Em praticamente todas é dado destaque ao fato de que a luta entre Batman e o vilão palhaço é uma relação eterna e inquebrável, algo inscrito no destino dos personagens e que terá inegavelmente um fim trágico para um deles, ou ambos.

 

Assim como Batman teve sua personalidade obsessiva e sombria dissecada por inúmeros criadores, também o Coringa ganhou histórias que se dedicaram a estudar suas motivações e sua verdadeira natureza. De tudo isso, sai um personagem complexo que, embora à primeira vista possa parecer simpático pelo traço de certa irreverência e quebra da ordem que possui, é no fundo, despido de tudo mais, um assassino perigosíssimo.

 

A seguir, listamos e comentamos algumas das histórias mais emblemáticas sobre o papel do Coringa como uma força de destruição e caos. São obras que não nos deixam esquecer o quanto o maior vilão de Gotham City é assustador, perigoso e mortal. Histórias que encaixam as peças do retrato de um psicopata absolutamente incontrolável.

 

 

A Vingança Quíntupla do Coringa (1969, originalmente em Batman 251)

Criada pela dupla responsável pelo resgate do Batman mais sombrio e sisudo, na entrada dos anos 1970, Denny O´Neil nos roteiros e Neal Adams na arte. Depois dos lisérgicos anos 1960, com histórias inspiradas na galhofa da série de TV do morcego, Batman e Coringa voltavam às suas origens. O herói recuperava seu ar atormentado e no limite da violência, em histórias recheadas de elementos detetivescos. Para o Coringa, se restabelecia sua aura de assassino perigoso e imprevisível, capaz de eliminar antigos parceiros do crime para executar uma vingança. Ainda restam traços de histrionismo no vilão mas seus atos não deixam dúvidas – ele é líder de gangues criminosas, frio e implacável. Destaque para as criativas maneiras escolhidas para matar seus desafetos, incluindo uma armadilha que utiliza… um tubarão. A história pode ser encontrada no Brasil em encadernados que compilam as criações de Neal Adams para o Batman.

 

 

A Piada Mortal (1988, The Killing Joke)

Um clássico ultraviolento criado na década em que os quadrinhos comerciais mergulharam no alargamento de fronteiras temáticas e narrativas. As ações do Coringa na graphic novel de Alan Moore e Brian Bolland são tão ultrajantes que dificilmente seriam permitidas hoje em dia, quando as editoras às vezes parecem superprotetoras com suas marcas e propriedades. Intercalando passado e presente, a história apresenta uma possível origem para o vilão, antes um comediante fracassado que é levado pelo desespero e pela pobreza a cometer um crime que irá comprometer seu futuro e sua frágil personalidade. Esta é a infame história onde o Coringa aleija a Batgirl, viola sua intimidade e tortura física e psicologicamente seu pai, o Comissário Gordon. Tudo para provar ao Batman e aos agentes da lei que basta um dia ruim para transformar a alma de um sujeito. É encontrada com facilidade no Brasil, sendo constantemente republicada.

 

 

Asilo Arkham (1989, Arkham Asylum: A Serious House On Serious Earth)

Os loucos dominaram o hospício e Batman inicia uma descida às profundezas da loucura para tentar por fim ao motim. Primeira história do herói escrita por Grant Morrison, com ilustrações de Dave McKean, Asilo Arkham não é focada somente no Coringa, apresentando boa parte da galeria de vilões do morcego. Mas o Coringa dessa graphic novel é mais uma vez retratado muito acima de seus limites mais tradicionais, esbanjando humor perverso e degenerado. Ele cria jogos psicológicos com Batman, trazendo para a superfície algo que muitas vezes fica apenas sugerido na relação entre os dois, como um afeto do criminoso pelo herói que vai além do mero respeito por um adversário. Nem a relação de Batman e Robin sai incólume dos comentários do palhaço louco. É de tempos em tempos republicada no Brasil.

 

 

Batman – Morte Em Família (1988-89, originalmente em Batman 426-429)

A história onde o Coringa, em um gibi regular mensal, quebra o código não escrito do conflito entre super-heróis e seus inimigos. Neste arco, depois compilado em encadernados, o vilão assassina o segundo Robin, Jason Todd, com requintes de crueldade e covardia. A arte de Jim Aparo não poupa o leitor de momentos brutais como quando o jovem herói é espancado sem dó pelo Coringa. Escrita por Jim Starlin, Morte Em Família deixou o Batman em um estado de fúria e armargura durante certo tempo nas histórias subsequentes e provou de vez que a loucura do Coringa era total e irrefreável. Pode ser encontrado em encadernados nas lojas brasileiras.

 

 

O Palhaço À Meia-Noite (2007, originalmente em Batman 663)

Segunda história nesta lista escrita por Grant Morrison, desta vez com arte de John Van Fleet. Faz parte da estadia do escritor na série mensal do personagem, altamente recomendável, e é na verdade um conto ilustrado, ao invés de uma história em quadrinhos. Morrison cria uma interessante teoria a respeito das muitas encanarções do Coringa, sugerindo que o vilão de tempos em tempos renasce e se recria, metaforicamente, alterando o padrão caótico de seus atos a cada iteração. É uma história pouco lembrada, e talvez pouco conhecida, que reforça o mal imprevisível do personagem. Pode ser encontrada nos encardenados do arco Batman E Filho.

 

 

Coringa (2008, Joker)

Graphic novel de Brian Azzarello, texto, e Lee Bermejo, arte, esta história relativamente curta é narrada pela ótica de um capanga do Coringa. Apesar do roteiro não ser impecável, ela merece ser conhecida pelo retrato brutal do personagem, um violento criminoso equilibrando-se entre rompantes de ódio e loucura. A história cativa pelo retrato do submundo criminoso de Gotham City. Essa versão do Coringa é muito próxima à interpretação que Heath Ledger fez do personagem em Batman – O Cavaleiro Das Trevas (2008), inclusive no visual. É encontrada nas lojas nacionais.

 

 

Essas são apenas migalhas, pistas da mente fragmentada de um personagem marcante. O nêmesis perfeito para o Cavaleiro das Trevas. Todas as grandes histórias sobre o Coringa são assustadoras e são todas, também, indispensáveis para o leitor de gibis e quem deseja se aprofundar no universo caótico do personagem. Aprecie com moderação.

 

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Fabio Luiz Oliveira

Fabio Luiz Oliveira é historiador e crítico da Arte não praticante. Professor da rede pública do Rio de Janeiro. Escritor sem sucesso, espanta o mofo de seus textos em secandoafonte.wordpress.com

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