Ozzy Osbourne – Ordinary Man

 

 

Gênero: Heavy metal

Duração: 49 min.
Faixas: 11
Produção: Andrew Watt
Gravadora: Sony Music

3 out of 5 stars (3 / 5)

 

Ozzy, dez anos depois de seu último disco solo, “Scream”, retorna com este “Ordinary Man”. Entre os dois álbuns, a retomada com o Black Sabbath, o lançamento de um ótimo e surpreendente disco – “13” – shows, turnês mundiais com a banda e, ao que parece, o encerramento de atividades definitivo do Sabbath. A retomada da carreira solo, portanto, faz-se necessária em meio a tempos turbulentos, que necessitam de renovação constante. Só que, bem, o que quer o fã de Ozzy? Novidade? Sim e não. Novas músicas são sempre bem-vindas, mas, até que ponto o roqueiro empedernido, que ouve o sujeito desde sempre e, a partir dos anos 1980, se acostumou a vê-lo como um artista autônomo e solo? Este é o dilema que Andrew Watt, produtor do rapper Post Malone – e de mais gente nova – se viu metido ao topar pilotar este novo disco de Ozzy. Malone, inclusive, está por aqui, fazendo participação, assim como Duff McKagan e Chad Smith (os três assinam a composição de todas as faixas e servem de banda de apoio), passando por Elton John e Travis Scott. “Ordinary Man”, apesar do título, não é um disco comum no cânon ózzyco. Vamos ver.

 

O álbum inicia com a cavalgada rocker que é o bom single de abertura “Straight To Hell”. Aqui, logo de cara, são apresentadas as credenciais mais fáceis de se reconhecer num disco de Ozzy: a ida ao inferno personificada na fruição máxima da vida, na porralouquice total, na doideira, no hedonismo. Mesmo que esteja velho e não no melhor da saúde, a figura do cantor nunca será dissociada desta visão. Mas, após passar pela primeira faixa, o ouvinte cai numa balada psicodélica, com bons solos de guitarra e uma amostra do Ozzy intérprete, ainda que esta não seja a faceta mais observada dele. O fato é que há uma preocupação em mostrá-lo como algo que vá um pouco além do cramulhão esporrento de sempre. “Goodbye”, cheia de versos como “no future, I’m gone” e uma introdução que lembra demais “Don’t Stand So Close To Me”, do Police, é um rockão em câmera lenta, com peso e propriedade.

 

Daí vem a balada que dá título ao disco, dueto com Elton John. Ela é totalmente sincera e mostra mais uma faceta de Ozzy, a do homem comum que se esconde por trás da pantomima artística de sempre. Elton, outro sujeito que também se valeu de personas e personagens ao longo da vida, soa como o contraponto perfeito para a declaração de vida em forma de reconhecimento da passagem da vida. O clima da canção evoca alguma coisa que Brian Wilson poderia ter composto em algum ponto da carreira. “Under The Graveyard” é outro rockão dinâmico, porém numa onda bem diferente de “Straight To Hell”, com andamento mais travado e um clima que evoca novamente a passagem do tempo.

 

Nas canções que fogem um pouco do normal, Ozzy derrapa. Em “Eat Me”, uma faixa que deveria ter certo senso de humor, ele soa caricato além da conta, em “Today Is The End”, que é outra faixa com vislumbre do fim logo à frente, ele também mostra uma voz cansada e excessivamente tratada em estúdio, a ponto de irritar o ouvinte mais exigente. Assim também é com “Scary Little Green Men”, que poderia render muito mais com uma produção que privilegiasse o peso de bateria/baixo, em vez de tentar trazer a voz de Ozzy para um patamar melhor de audição. “Holy For Tonight” é outra balada, esquecível, que antecipa “It’s A Raid”, colaboração de Ozzy e Post Malone, que é surpreendentemente pesadinha, ainda que traga novamente os efeitos irritantes de autotune. Já a outra participação de Malone, junto com Travis Scott, em “Take What You Want”, deverá irritar fãs condescendentes e ranhetas de Ozzy.

 

Como conceito, “Ordinary Man” é um inventário de vida que soa como uma despedida antecipada – ou não – de um artista que tem a intensidade como uma de suas características fundamentais. É disco mediano, com alguns pontos altos e muitas passagens desnecessárias. Dificilmente ele ficará inserido entre os melhores trabalhos de Ozzy.

 

Ouça primeiro: “Straight To Hell”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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