Vamo E.T. traz do espaço bom humor e irreverência para o Carnaval carioca    

 

 

A proposta deles é te levar pra uma viagem intergaláctica, sideral, com muito humor, liberdade e irreverência. Tudo isso com um E.T. gigante à frente, réplica de tamanho natural do E.T do filme célebre de Steven Spielberg. A mascote é um sucesso, muito disputado para fotos e danças durante a folia.

 

Conheci o Vamo E.T. ano passado, quando busquei um bloco mais tranquilo para ir. Qual não foi minha surpresa ao me deparar, na Glória, com um bloco divertidíssimo, tocando paródias de hits e músicas autorais que me fizeram rir todo o tempo em que estive lá. E o melhor: tranquilo, sem confusões, com gente maluca e bonita, todos na mesma vibe.

 

“O Vamo E.T. surgiu em 2010, quando três amigos alugaram um apartamento no bairro do Flamengo diretamente com a proprietária, uma simpática senhora que pediu aos jovens que esvaziassem o quarto de serviço, pois estava cheio de entulho e ela não tinha disposição pra fazer a limpeza. Eles se prontificaram a fazer a ‘limpa’, sabendo que podiam jogar tudo fora. Mas, atrás de cadeiras velhas, mesas quebradas e coisas do tipo encontraram aqueles olhos azuis…O boneco que acabou virando objeto decorativo na sala e, ao chegar o Carnaval, passou a ser presença ilustre nos blocos. O E.T. automaticamente fez sucesso entre os foliões. Com isso, passaram a levar tambores pros blocos, com o grito Vamo E.T.!”, explica Bibo Bassini, um dos cantores e compositor da maioria das músicas autorais do grupo.

 

De lá pra cá se passaram dez anos! Bibo entrou no bloco em 2013, tocando agogô. Após o Carnaval daquele ano foi chamado pros vocais e, por trabalhar com jingles, teve facilidade para compor com os temas propostos pela galera. “Mas de uma forma geral, a gente se mantém sempre falando sobre galáxias, sacanagem e drogas!”, aponta, com o humor típico do bloco.

 

“Percebo que nosso público é uma galera que já curte nosso trabalho autoral, que hoje é quase 80% do repertório, e também paródias que só vão ouvir conosco… É um público mais aberto ao novo. O povo sabe que não vai ouvir ‘Eva’ ou ‘Anunciação’, ouvidas à exaustão em vários blocos. Percebo que também não é um publico tão novinho, é uma galera que gosta de encher o pote, até pra embarcar melhor nas letras”, contextualiza Bibo.

 

O que mais me chamou a atenção no bloco, e isso se repetiu esse ano, quando fui assisti-los, é o espírito libertário. “Acho que o humor é realmente a nossa maior característica. Mas percebo que, hoje em dia, muita gente tem tido certo receio de falar em determinados assuntos. Isso é curioso porque se você deixa de falar em algumas coisas, é porque anda pensando de forma errada sobre determinados temas. A gente continua falando o que der na telha e todos são bem vindos ao nosso bloco. Não tem lugar pra assediador, racista, homofóbico e se tem bolsominion, se mantém oculto!”, aponta o vocalista.

 

Mesmo com toda liberdade, um tema é recorrente: o cenário atual dos blocos. O Vamo E.T. é contra qualquer tipo de arbitrariedade e exageros. “Ficamos tristes esse ano ao saber de blocos amigos sendo barrados na hora H. Nós até comentamos que temos sorte com duas coisas: o clima e a Guarda Municipal. Desde o primeiro ano, sempre fez sol no na terça-feira, e até brincamos que é por causa do nosso tecladista, Caê Mancini, que é meteorologista e famoso pelo Instagram ‘Caê Vai Chover?’, onde dá a previsão do clima na cidade do Rio. Quanto à fiscalização temos mais sorte ainda, nunca tivemos nenhuma autorização. Acho que os moradores da Praça Luiz de Camões já compraram a gente como bloco querido, e os guardas talvez tenham receio de mexer com o E.T. e ter suas casas invadidas por extraterrestres mal humorados”, diz Bibo, entre risadas.

 

E eu ri com ele, ao lembrar de como fiquei ao ouvir as letras dos caras. “Isso é o que mais me agrada. É muito divertido ver a reação das pessoas quando escutam nossas músicas pela primeira vez e percebem o que estamos cantando. É gente gargalhando, cutucando os amigos pra explicar a letra, com sorriso na cara. Os que já conhecem, cantam a plenos pulmões. Tem gente que aparece vindo de longe e que diz que é muito fã das nossas autorais e sabem que só ali, conseguirão ouvir”, explica Bibo. Eu sou um!

 

Para ano que vem, muitas outras viagens, mas no estilo deles. “Vivemos literalmente no Mundo da Lua, coisa de outro planeta! Mas decidimos que 2020 foi o ano da virada. Afinal, agora são mais de 10 carnavais, e a Praça tá começando a ficar bem cheia. Não tivemos patrocínio nenhum e, esse ano, chegamos a tirar do bolso pra botar o bloco na rua”, afirma o cantor. O Vamo E.T. se apresentou com baixo, sintetizador, guitarra baiana, cavaco, guitarra e 3 vozes, e a bateria muda muito de formação, mas sempre conta com percussionistas oficiais.

 

Por fim, quase que encarnando o E.T. Bibo deixa um recado do espaço para os leitores da Coluna Coringa: “Alô doidão, agora é sério! Vamo E.T. 2021 vai ser mais gostosinho ainda. Estamos gravando várias faixas e vem clipe espacial por aí! Desculpa, parabéns e obrigado!”

 

De nada, parabéns e obrigado também Bibo, e Vamo E.T.!

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Celso Chagas

Celso Chagas é jornalista, compositor, fundador e vocalista do bloco carioca Desliga da Justiça, onde encarna, ha dez anos, o Coringa. Cria de Madureira, subúrbio carioca, influenciado pelo rock e pela black music, foi desaguar na folia de rua. Fã de poesia concreta e literatura marginal, é autor do EP Coração Vermelho, disponível nas plataformas digitais.

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