Bárbara Eugenia – Tuda

Gênero: Pop Alternativo, MPB
Duração: 39 min.
Faixas: 11
Produção: Bárbara Eugenia, Clayton Martin e Dustan Gallas
Gravadora: Independente

4.5 out of 5 stars (4,5 / 5)

Em primeiro lugar: “Tuda” é um baita disco. Arejado, solar, interessante e, para usar um termo em espanhol, uma espécie de segundo idioma do álbum, “con buena onda”. Bárbara Eugenia, niteroiense baseada em São Paulo há tempos, talvez já tenha assegurado seu lugar em listas de melhores lançamentos nacionais de 2019. É cedo, mas já quase posso ver “Tuda” lá na lista de melhores do ano da Célula Pop. A primeira do site.

Barbara segue uma tendência interessante do pop nacional alternativo, a de acenar com olhos simpáticos a timbres dos anos 1980, numa onda diferente do resto do mundo. Quando artistas nacionais decidem revisitar aquela década, o fazem com atenção a batidas, sintetizadores que exibiam uma polidez de estúdio nova na época. Era um tempo de modernização de estúdios e compra de equipamentos de gravação mais robustos, bem como de aquisição de instrumentos – sintetizadores na maioria – por parte de bandas e artistas nacionais. Era o tempo de gravações revestidas com um veludo “tecnopop” por parte de gente como Fagner, Guilherme Arantes, Caetano Veloso, entre outros. E dá pra notar o esmero em tentar reproduzir essa sonoridade brasileira e pop nas faixas de “Tuda”.

Só que o disco vai além, capitaneado pelos ótimos Clayton Martin e Dustan Gallas, além da própria Barbara. Há esta latinidade implícita, seja em canções com letra em espanhol, como a bela cover para “Sol de Verano”, da cantora inglesa Jeanette, tem a participação do grupo argentino Onda em “Por La Luz y La Tierra”. Também há várias participações de gente legal como Zeca Baleiro (“Bagunça”), Iara Rennó (“Querência”) e do guitarrista paraense Felipe Cordeiro (em “Confusão”), que confere um clima que tangencia outras latinidade, via carimbó/tecnobrega.

“Tuda” atinge seus melhores momentos nesta recriação de timbres oitentistas. A inesperada “Apaixonada Feito Gente Não” muda de pele, saindo de balada clássica para canção sensual com pé na Bahia anos 80, enquanto “Perdi” tem pianos solenes que chamam bateria e sintetizadores que poderiam estar em “Marina No Ar”, de Guilherme Arantes, safra 1988. E “Perfeitamente Imperfeita” é totalmente inserida no contexto caetanístico erguido em discos como “Estrangeiro”, de 1989. Os timbres, a percussão e a lindeza da letra entregam a intenção de doçura e sorriso.

Bárbara Eugenia chega ao décimo ano de carreira a bordo de um quarto disco que, não só é seu melhor trabalho, como exibe maturidade ainda cheia de frescor e inteligência. “Tuda” é tudo isso, perdoem o trocadilho.

Ouça primeiro: “Perdi”

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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