Avril Lavigne – Head Above Water

Gênero: Pop Alternativo
Duração: 41:47
Faixas: 12
Produção: Avril Lavigne, Stephan Moccio, Johan Carlsson, Jon Levine, JR Rotem, Mitch Allan e Chris Baseford
Gravadora: BMG

3 out of 5 stars (3 / 5)

Duas coisas me vieram à mente após ouvir este sexto disco de Avril Lavigne: já se vão dezessete anos desde que ela surgiu com o clipe da simpaticíssima “Sk8ter Boi”, portanto, o tempo passa muito rápido. E outra: a moça esteve afastada por um bom tempo do disco e dos shows por ter contraído Doença de Lyme, uma moléstia que é transmitida por carrapatos e causa uma série de problemas. Não por acaso, Avril ficou seis anos sem lançar um álbum de inéditas e agora surge com este bom “Head Above Water”, cuja tônica é a de permanecer aqui, apesar dos pesares.

Esta resistência – ou, para usar um termo da moda, resiliência – de Avril é o conceito que contém o disco. A faixa-título, em tom motivacional e de superação, foi parar nas paradas de música gospel americana, tamanha a positividade da letra e o clima de baladão clássico com pianos e cordas. Na verdade, sobra pouco daquela moleca louca que surgiu no início do século, como não poderia deixar de ser. Em troca surge uma cantora com inegável
boa voz e bom sendo. A produção do álbum ficou a cargo de um time de colaboradores, que deram um revestimento 2019 às canções, que funcionam bem.

Além da faixa-título, outras boas faixas dão as caras. “Birdie” é ainda mais solene e pianística, com batidas marciais e bem colocadas antecedendo explosões e efeitos eletrônicos no refrão. “Dumb Blonde” traz colaboração com Nick Minaj e abusa das programações sintéticas, obtendo resultado simpático. Dois momentos que se destacam do padrão otimista do álbum chegam com “Love Me Insane” – cheia de momentos eletroacústicos e bons arranjos de cordas e a brilhante “Tell Me It’s Over”, com cara de balada dourada dos anos 1950 sob a luz do luar.

Avril não ficou datada e soube se adaptar ao mercado pop sem fazer muitas concessões. Abriu mão de sua explosão roqueira pregressa em nome de um bom senso musical que se reflete no resultado do disco: seguro, bem feito e com vários hits em potencial.

Ouça primeiro: “Tell Me It’s Over”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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