Nada Ficou No Lugar – Adriana Calcanhotto

Gênero: Pop, MPB
Duração:58 min
Produção: Vários
Gravadora: Sony

2.5 out of 5 stars (2,5 / 5)

 

Tributos e discos de releituras são um bom produto da indústria musical. Ainda hoje,  nesses tempos líquidos, eles fazem bonito e despertam a curiosidade de vários tipos de  ouvinte, além de oxigenar a obra de artistas consolidados. A homenageada aqui é Adriana  Calcanhotto, cantora e compositora gaúcha que surgiu na virada dos anos 1980/90, manteve-se ao longo de duas décadas como um dos expoentes de uma MPB mais ou menos nova,  ao lado de cantoras como Marisa Monte e Zelia Duncan, apenas para citar duas contemporâneas.

A ideia aqui é enfatizar a participação de artistas da novíssima geração da música brasileira. O resultado, como em todo disco desse tipo, é diverso e esquisito. Há gente que consegue se apropriar do original – sem matá-lo completamente – e o faz seu. O caso mais evidente disso é a versão que Mahmundi faz para “Cariocas”. Próxima do arranjo original em termos de estrutura, a cantora carioca empresta seu acento de pop oitentista  praiano para conferir um DNA 021 à gravação de Calcanhotto, que, apesar de simpática, não tinha. Outro que se sai bem é Rubel com “Por Que Você Faz Cinema?”, que traz muito de sua musicalidade, que funciona bem com o concretismo da letra. Jaloo também dá certa ingenuidade a “Esquadros”.

Ainda numa espécie de bloco intermediário estão Letrux com “Já Reparô?”, Duda Beat com “Seu Pensamento”, Taís Alvarenga com “Inverno” e, vá lá, Arhtur Nogueira com “Cantada (Quero Ter Você)”. O resto, meu caro leitor, é trilha sonora do purgatório com o ar condicionado pifado, com destaque especial para o crime hediondo cometido por Priscila Tossan em “Vambora”, que é aviltada por uma falsa malandragem vocal pré-fabricada sobre  uma base qualquer nota de samba-jazz de proveta. Alice Caymmi, talentosa e importante,  fracassa com sua leitura de “Metade” e até o Baco Exú do Blues falha miseravelmente com “Senhas”, travestida em algo lamentável.

Sei que sempre é melhor fazer versão sem imitar o original, acrescentando algo realmente novo e legal, mas algumas pessoas perderam a mão em muitos momentos das 18 faixas. Ouça com cautela.

Ouça primeiro: “Cariocas”

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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