13 Canções Glam (+1 bônus)

                     

 

Há exatamente 50 anos, um levante propulsionado por guitarras elétricas, pop vibrante, purpurina, bissexualidade, nonsense, extravagância e altas doses de erotismo mudava drasticamente a face do rock. Reagindo contra as bandas de rock peludas e vestidas de jeans do final dos anos 60 e a pedância do rock progressivo, o glam foi o primeiro verdadeiro tumulto adolescente da nova década. Como definiu o crítico Simon Reynolds no livro Shock and Awe: Glam Rock and Its Legacy, from the Seventies to the Twenty-first Century, o  início dos anos 70 foi um período repleto de trajes chamativos e maquiagem alienígena, música emocionante e personas grandiosas. Capitaneado pelo arrasador sucesso liderado por Marc Bolan e seu T-Rex – na esteira do qual vieram artistas como David Bowie, Alice Cooper e Roxy Music –, o glam (ou “glitter”) rock deleitou-se com o artifício e o espetáculo.

 

Em março de 1971 – ano de discos como Stick Fingers, dos Rolling Stones; Who’s Next, do The Who; e Every Picture Tells a Story, de Rod Stewart –, o T-Rex entrava em estúdio para gravar o revolucionário Eletric Warrior (a propósito, imperdível a série documental  1971: O Ano em que a Música Mudou Tudo, exibida pela Apple TV). No escaldante embalo do single predecessor “Hot Love” (o primeiro # 1 do glam rock), Eletric Warrior, de imediato, galgou as paradas ancorado em grandes hits, como a infecciosa “Get it On”, “Jeepster” e “Life’s a Gas”.

 

Capaz de desconstruir, ou senão confundir, a heteronormatividade que regia a música pop mundial, naqueles dias pós-paz e amor, o glam rock foi, por excelência, um dos períodos mais divertidos e intrigantes da música contemporânea. Seus respingos afetaram a todos. Dos Rolling Stones a Alice Cooper, dos Secos & Molhados, Rita Lee & Tutti Frutti e Edy Star, no Brasil, quase ninguém saiu impune. A melhor definição para o rock glam foi dada pelo “mente aberta” John Lennon: “É a apenas o bom e velho rock-and-roll de batom”, definiu com precisão.

 

De curta durabilidade, entre 1971 a 1973, o glam rock foi um fenômeno principalmente inglês. Em 1974, em sua clássica entrevista concedida ao semanário inglês Melody Maker, Marc Bolan decretaria, em letras garrafais: “The Glam Is Dead”. Nos Estados Unidos, o glam teve, pelo menos nos anos 70, menor impacto sobre a cultura popular (embora Lou Reed e Iggy Pop, via David Bowie, tenham flertado fortemente com o gênero) e foi apenas difundido por fãs de música nas cidades de Nova Iorque, que pariu os transviados New York Dolls, e Los Angeles.

 

Por isso – embora, nos anos 80, o glam tenha multiplicado-se numa miríade de grupos de hard rock farofa ou “poodle” (onde, para ficar só nesses, incluem-se conhecidos nomes como Mötley Crüe, Guns e Poison), a lista a seguir contemplará apenas bandas e artistas ingleses. Como Ziggy Stardust bradou no grito de guerra de “Suffragette City”: “Ohhh, wham-bam thank you ma’am”!

 

 

1 – Hot Love (1971) – T-Rex

 

25 de fevereiro de 1971. Nos bastidores da BBC de Londres, Marc Bolan, homem, coração e cérebro a frente do grupo T-Rex, se prepara para debutar no programa Top Of The Pops o single “Hot Love”, arrebatador sucesso daquela temporada. Foi segundos antes de Bolan surgir nos televisores de milhares de lares ingleses, que a publicitária Chelita Secunda teve a sacada que, num simples gesto, alteraria os rumos históricos e comportamentais do rock’n’roll. Sem avisá-lo, Chelita aplica nos olhos do artista uma fina camada de rímel e, em cada uma de suas bochechas, salpica-lhe respingos de glitter.

A despretensiosa aparição de Marc Bolan no Top Of The Pops surtiu febris consequências sobre a imaginação de uma horda de juvenis telespectadores. Nascia assim, oficial e espontaneamente, o “glam rock”. Criação – e aqui cabe a reparação histórica – erroneamente atribuída a David Bowie, amigo-rival de Bolan, que, apenas no ano seguinte, sairia-se com o estrepitoso The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spider From Mars (“Lady Stardust”, aliás, uma das mais belas canções desse disco é sobre Bolan).

O frisson deflagrado televisivamente com “Hot Love” foi coisa séria. Catapultou, de vez, Bolan à condição de “ídolo das multidões” no Reino Unido. Fenômeno tão marcante (e massivo) que conseguiu o respeitoso feito de ter preenchindo o vazio abissal deixado pelo fim da Beatlemania – que tivera seu ocaso em 1970, com a dissolução do Fab Four – com outro fenomeno de proporções igualmente monstruosas: a “T-Rextasy”. Dali em diante, nada mais seria o mesmo na dita “linha evolutiva do rock’n’roll”.

 

 

 

2 – Get Down And Get With It (1971) – Slade

 

A anfetamínica “Get Down and Get with It” é uma canção do cantor e compositor de R&B americano Bobby Marchan, lançada pela primeira vez como “Get Down with It” como o lado B de seu single de 1964 “Half a Mind”. Antes, porém, do Slade gravar sua explosiva versão, o pioneiro Little Richard, em 1967, derramaria sua lascívia rock-and-roller sobre a música. “Get Down with It” deu ao Slade o primeiro de muitos arrasadores sucessos (entre os quais, os smash hits “Cum On Fell the Noize”, “Gudbuy the Jane” e “Mama Weer All Crazee Now”) nas paradas do Reino Unido.

 

Após o fracasso comercial de seu álbum de 1970, Play It Loud, o Slade e o produtor de Chas Chandler (também empresário de Jimi Hendrx) viram-se obrigados a considerar uma nova estratégia de carreira. Decidiram, então, que a melhor maneira de fazer um avanço comercial seria capturar nas gravações a forte reputação da banda ao vivo – reputação essa que pode ser testemunhada na audição de Slade Alive!, tido, até hoje, como um dos maiores e mais selvagens registros ao vivo da história do rock-and-roll).

 

E, de fato, funcionou que é uma beleza. “Get Down and Get with It” é uma faz faixas mais representativas do “Slade Sound”: alto, gritado, dançante e virulentamente destruidor.

 

 

 

3 – Virginia Plain (1972) – Roxy Music

 

O ex-estudante de arte Brian Ferry tirou o título de “Virginia Plain” de uma de suas próprias pinturas, a qual apresentava uma imagem de embalagens de cigarro – Virginia Plain é uma variedade de tabaco de cigarro. Na gênese do nome, contou Ferry, também estava a aeronave Boeing 747-400, também chamada de “Virginia Plain”.

 

No documentário More Than This – The Story of Roxy Music, de 2009, o guitarrista Phil Manzanera comentou que “Virginia Plain” foi um single que “não ignorou as regras [do formato de pop song de sucesso], mas simplesmente as deixou para trás”: sem refrão, uma introdução maluca e um desfecho repentino – o oposto dos singles “normais”. O título da música nem mesmo é mencionado até o momento final, quando Ferry de repente solta: “Qual é o nome dela? Virginia Plain!”. “Hoje em dia, quando você pensa em singles, eles têm a fórmula perfeita”, disse Manzanera. “Direto para o refrão para o início, a parte do ‘gancho’, verso rápido, de volta ao refrão, repita até desaparecer. Não houve nada disso com Virginia Plain”.

 

 

 

4 – Blockbuster (1973) – The Sweet

 

Um dos grandes blockbusters escritos pela dupla de produtores Mike Chapman & Nicky Chinn (Mud, Suzi Quatro, Blondie) para o Sweet. E foram vários: “The Ballroom Blitz”, “Poppa Joe”, “Little Willy”. Um dos grandes momentos da história do televisivo TOP Of The Pops, da BBC de Londres, “Blockbuster” foi número 1 no Reino Unido (onde permaneceu durante cinco semanas) e também na Alemanha, Áustria, Dinamarca, Irlanda e Nova Zelândia. Neste vídeo, fica evidente o quanto o recém-falecido – e baixista de mão cheia – Steve Priest era o sujeito mais divertido da banda, que, declarou Joey Ramone, foi decisiva na infusão sonora dos Ramones.

 

Hoje totalmente assimilada, “Blockbuster”, na época, causou polêmica. Seu riff de blues inspirado em Muddy Waters é marcadamente semelhante ao apresentado em “The Jean Genie”, de David Bowie, lançado pouco antes. Bowie, à época, reclamou do fato, porém, com que moral um “imitador” nato pode pôr em suspeição outros imitadores? O Sweet, por sua vez, a vida toda afirmou que tudo não passava de mera coincidência. Uma coisa é certa: “Blockbuster” possui brilho e pulsações próprias.

 

 

 

5 – The Jean Genie (1973) – David Bowie

 

Cintilante tesouro perdido da Era Glam (quiçá o último), o vídeo de “The Jean Genie”, no Top Of The Pops de 1973, foi transmitido como grande achado – e saudado com grande entusiasmo pelos fãs de Bowie – no dia 22 de dezembro de 2012 como parte de um especial de Natal da BBC2. Era a primeira vez, em quase 39 anos, que esta performance lendária seria catodicamente irradiada para milhares de telespectadores.

 

O responsável pelo feito foi John Henshall, um cinegrafista aposentado da BBC que guardava em casa uma cópia com qualidade da transmissão de Bowie e as Aranhas de Marte. Ao perceber que a BBC havia apagado o master original, Henshall apresentou-se à emissora e o resto foi história. Ou melhor, entrou para a história.

 

Como pode-se ver nas filmagens, Bowie e banda (nos últimos suspiros dos Spiders) estão em sua melhor forma, com Bowie usando uma luva prateada e cantando mais atrevidamente do que nunca, tocando gaita e brandindo suas maracás. Já o solo de guitarra de Mick Ronson, como de costume, é digno de arrepio. O baixista Trevor Bolder e o baterista Woody Woodmansey, por sua vez, adicionam pompa ao número, enquanto a injeção sorrateira do riff de “Love Me Do”, dos Beatles, eleva o bagulho todo a um nível estratosfericamente cool.

 

 

 

6 – See My Baby Jive (1973) – Wizzard 

 

Escrito e produzido por Roy Wood (co-fundador do The Move e Eletric Ligh Orchestra, o ELO), “See My Baby Jive” foi o primeiro e único single dos espalhafatosos Wizzard – um dos grupos mais inventivos do glam – a alcançar o # 1. De maio a junho de 1973, a melodiosa “See My Baby Jive” estacionou durante quatro semanas (popularmente conhecido como “um mês”) no topo das UK Charts. “See My Baby Jive” foi igualmente enorme sucesso na Suécia – mais tarde o ABBA reconheceu a determinante influência da faixa na concepção de “Waterloo”, primeiro big hit planetário dos suecos, com o qual triunfaram no concurso Eurovision daquele ano. Roy Wood, não se pode deixar de mencionar, também é dono de uma prolífica carreira solo. Boulders (1973), seu disco de estreia, é um clássico inconteste do power pop.

 

 

 

7 – Needles In The Camel’s Eye (1973) – Brian Eno

 

“Needles In The Camel’s” é a faixa mais bem-sucedida de Here Come the Warm Jets, álbum com o qual Brian Eno debuta sua criativamente prolífica carreira solo. O disco foi lançado pela Island Records em janeiro de 1974, após a saída de Eno do Roxy Music. “Needles In The Camel’s sumariza as intenções estéticas postuladas em Here Come the Warm Jets, ao combinar, com sensibilidade intelectual, glam e pop sem perder de vista as abordagens de vanguarda. A canção abre Velvet Goldmine evocando os febris dias da glam mania e prometendo um grande filme, o que, infelizmente, não rola.

 

 

 

 

8 – Lets Get Together Again (1974)  – Glitter Band

 

Mais conhecidos por terem sido a banda de apoio do pedófilo Gary Glitter, escoltando o então astro (condenado a 16 anos de prisão após ser considerado culpado de abusar sexualmente de três meninas) na gravação de seus mais representativos sucessos. Na época em que acompanhava Gary, a Glitter Band ainda atendia oficialmente conhecida como “Glittermen”. Esses, na verdade, foram os caras que forjaram a típica batida e os característicos timbres de baixo e guitarra que emolduram hits como “I’m The Leader of The Gang (I Am)”, “I Love You Love Me Love”, “Always Yours” e “Rock N Roll Part 2”. A partir de 73, a Glitter Band emplacou sete singles no Top 20 do Reino Unido. “Lets Get Together Again”, com seu chispante jogo de guitarras, não deixa nada a desejar a qualquer guitar band de qualquer época.

 

 

 

9 – The Man Who Sold The World (1974) – Lulu

 

Popularizada mundialmente pelo Nirvana em seu Acústico MTV, bem antes disso a canção de David Bowie foi relida pela cantora escocesa, radicada na Inglaterra, Lulu. Uma das poucas representantes femininas no universo predominantemente “masculino” do glam rock setentista, Lulu interpretou “The Man Who Sold The World” no melhor estilo cabaré berlinense. A produção da faixa é do próprio Bowie e do Aranha de Marte Mick Ronson.

 

Palavras de Lulu: “Ele [David Bowie] era übercool na época e eu só queria ser liderada por ele. Eu amei tudo o que ele fez. Eu não pensei ‘Oh, Man Who Sold The World’ era a melhor música para a minha voz’, mas era uma música muito forte em si mesma. Eu não tinha ideia do que se tratava. No estúdio, Bowie ficava me dizendo para fumar mais cigarros, para dar à minha voz um certa qualidade”.

 

“The Man Who Sold The World” alcançou a posição # 3 nas paradas do Reino Unido e, naqueles distantes dias, acabou fazendo jus ao sombrio, denso e pesado álbum de mesmo nome lançado por Bowie, em 1970, e que passou completamente batido numa época em que o artista ainda era o one hit wonder de “Space Oditty”.

 

 

10 – I Can Do It (1975) – The Rubettes

 

Delicioso bubblegum impregnado de guitarras com explosão de sabor, “I Can Do It” foi o quarto single de sucesso disparado pelos The Rubettes (o grupo emplacou, ao todo, dez faixas no concorrido topo das UK Charts) e o segundo single do álbum We Can Do It. A canção sucede nas paradas dois arrebatadores êxitos comerciais/radiofônicos: “Sugar Baby Love”, de 1974 – 500 mil cópias vendidas somente no Reino Unido e mais de três milhões ao redor do mundo todo –, e a wall of sound mezzo doo-wop mezzo surf music “Juke Box Jive”, de 1973.

 

 

 

11 – Make Me Smile (Come Up And See Me)/ (1975) – Steve Harley & Cockeney Rebels

 

Single principal de The Best Years of Our Lives, álbum lançado em 1975, “Make Me Smile” alcançou o primeiro lugar na parada do Reino Unido e, por ter passado nove semanas no Top 50, recebeu a distinta certificação “UK Silver”. A aparição de “Make Me Smile” no histriônico Velvet Goldmine, de Todd Haynes, pode ter certeza, é um dos melhores momentos daquele filme, verdadeiro festival de equívocos. Ao longo da história, foram feitas mais de 120 (!) versões de “Make Me Smile (Come Up And See Me)” – as mais notáveis levam as assinaturas do Duran Duran, Erasure e Suzi Quatro. Harley, no entanto, declarou que a sua favorita é do grupo The Wedding Present. Veja e ouça Steve Harley & Cockeney Rebels e, sem trocadilhos, abra um sorriso.

 

 

 

12 – Rocket (1974) – Mud

 

O Mud, assim como o Slade e o Mott the Hoople, é mais uma banda que, recriando o rock-and-roll dos anos 50 (em especial, Elvis Presley, no caso deles), soube surfar nas ondas do glam rock. Entre os grandes hits da banda, estão “Tiger Feet” – o single mais vendido do Reino Unido em 74 – e a glam-proto punk “Dynamite”.

Após juntarem-se a dupla de compositores/produtores Chinn & Chapman, o Mud angariou, nada mais nada menos, do que 14 singles no Top 20 do Reino Unido entre 1973 e 1976, incluindo três # 1. “Rocket”, música que conta a história do letal lança-foguetes apelidado de Abigail Rocket Blast, chegou a #1 no Natal de 1974. Petardo do Papai Noel.

 

 

 

13 – All The Young Dudes / Heroes (1992) – David Bowie+Mick Ronson+Queen+Ian Hunter

 

Em 20 de abril de 1992, cerca de cinco meses após Freddie Mercury ter falecido em decorrência da AIDS, os membros sobreviventes do Queen reuniram-se no Estádio de Wembley para encenar um incrível show em sua homenagem com elenco estelar: Elton John, Axl Rose, Slash, Robert Plant, George Michael, Seal, Annie Lennox, Liza Minnelli, entre inúmeros outros. O Wembley, por sinal, fora o palco de muitas das maiores apresentações do Queen (incluindo o triunfo de 1985 no Live Aid), então foi o lugar perfeito para homenagear o legado de Freddie.

 

Numa noite repleta de catárticos momentos e encontros, uma das mais memoráveis performances ​​veio no meio da noite, quando David Bowie, Ian Hunter (Mott The Hoople), Joe Elliott (Deff Lepard), Phil Collins (Genesis) e Mick Ronson juntaram-se para reviver “All The Young Dudes”, o grande hit que, em 1972, David Bowie dera de mão beijada ao Mott. A música salvou a banda, banda da qual Bowie era grande fã, do fracasso comercial.

 

Bowie não tocava com Ronson, um de seus mais queridos e fieis escudeiros, desde uma aparição surpresa em um show da turnê Serious Moonlight, nove anos antes. E o guitarrista dos Spiders From Mars morreria quase exatamente um ano depois… Ou seja, eles nunca teriam outra chance de tocar juntos em público (embora Ronson tivesse contribuído para o álbum Black Tie White Noise de Bowie, de 1993).

 

Com uma banda dessas não tinha como sair nada de errado. Impressiona que Bowie poderia roubar todas as atenções para si, mas não o faz. Age, pelo contrário, de forma conscientemente humilde. Tanto que, ao final, ajoelha-se e, exortando toda a multidão tal qual um pontífice, reza um pai nosso pela alma de Mercury. Pela alma de todos que ali estavam. Pela nossa alma. Até nisso Bowie surpreendia. Veja, é lindo. E depois, para lavar nossas almas pagãs, eles ainda redimem nossos pecados com “Heroes”.

 

 

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Jet Boy (1973) – New York Dolls

 

A aparição dos foras-da-lei New York Dolls no conceituado (e um tanto adultificado) televisivo The Old Grey Whistle Test, o qual era transmitido semanalmente aos lares ingleses, deu o pontapé inicial do punk no Reino Unido. E também no mundo. Após essa mesmerizante, barulhenta, iconoclástica apresentação – que capturou a atenção de jovens como Steve Jones (Sex Pistols), Joe Strummer (The Clash) e Stephen Morrisey (The Smiths – que o faria montar, na Inglaterra, o fã-clube dos NYD), o rock nunca mais seria mesmo.

 

Antes das filmagens, o frontman do New York Dolls, David Johansen, na cara dura tirou uma onda do apresentador Whistle Test, Bob Harris, dizendo que ele tinha “dentes de coelho”. E, numa malfadada tentativa de vingança, após a vigorosa mímica da banda na tonitruante “Jet Boy”, Harris deu uma risadinha para a câmera e classificou os Dolls com o epíteto de “rock mock” (algo como “rock zombaria”).

 

A verdade é que a aparição dos NYD no The Old Gray Whistle Test flagra o grupo em seu clímax, dias em que o lendário guitarrista Johnny Thunders ainda não encontrava-se afundado em seu mortífero vício em heroína. Como foi dito, Thunders, que, naquela época desfrutava a plenitude de sua forma física, desferia riffs como quem dava cusparadas:

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Cristiano Bastos

Cristiano Bastos é jornalista. Um dos autores do livro Gauleses Irredutíveis – Causos & Atitudes do Rock Gaúcho. Escreveu Julio Reny – Histórias de Amor e Morte, Júpiter Maçã: A Efervescente Vida e Obra, Nelson Gonçalves – O Rei da Boemia e o livro de reportagens Nova Carne Para Moer. Também dirigiu o documentário Nas Paredes da Pedra Encantada, sobre o álbum Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Atualmente trabalho no projeto 100 Grandes Álbus do Rock Gaúcho, que se encontra em campanha de financiamento pela plataforma Catarse: https://www.catarse.me/100GrandesAlbunsDoRockGaucho

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