W.P Corgan – Cotillions

 

Gênero: Folk
Duração: 61 minutos
Faixas: 17
Produção: Billy Corgan
Gravadora: Martha’s Music

2 out of 5 stars (2 / 5)

 

Rapaz, o Billy Corgan voltou. Não satisfeito em ativar, desativar e reativar o Smashing Pumpkins ao longo do tempo, o cara solta discos solo com certa frequência. O último, “Ogilala”, veio em 2017. De lá pra cá, ele passou a assinar como William Patrick Corgan, seu nome completo e, além disso, “fazer mais música pessoal”. É como se tudo o que tivesse feito até aqui fosse superficial, falso, não-autêntico. A gente releva, afinal de contas, Corgan sempre foi um cara que aliou duas características perigosas: talento e fanfarronice, além de um toque de, digamos, bipolaridade musical. Agora, por exemplo, ele lançou este “Cotillions”, que seria a primeira parte de um álbum duplo, cheio de canções … country. Sim.

 

Se você quer ouvir a voz roufenha de Corgan desfilando por 17 faixas autorais em que violão e rabeca assumem o protagonismo, por favor, entre neste mundo novo. “Cotillions” tem algumas exceções em que Corgan arranja algumas canções com piano e voz, mas a maioria parece uma festa no celeiro, com elementos estranhos em volta de uma fogueira, vestidos de xadrez, comendo marshmelows e cantando canções obscuras. Se você está pronto/a para argumentar sobre as excentricidades do sujeito, eu já te aviso que não há nada de estranho aqui. É só um cara de cinquenta e tantos anos, cantando quase 20 faixas anódinas, esquecíveis, indulgentes e se fiando num público que ele construiu ao longo de quase três décadas, fazendo música totalmente diferente.

 

Claro, cada um faz o que quer. O próprio Corgan surgiu nas redes sociais meio que justificando o álbum, se referindo a ele como um verdadeiro trabalho de amor, que mostrava a sua verdadeira face, através de canções que iam direto ao seu coração. Corgan nasceu e viveu em Chicago, um lugar bem urbano e nada country. Certamente viveu com pessoas para quem o estilo era querido e valioso, mas, até aqui, nunca cantou nada próximo. Houve tempo em que algumas de suas criações – especialmente as presentes no disco “Mellon Collie And Infinite Sadness”, de 1995 – surgiam em versões acústicas, na base do violão/voz e cordas. Eram belos rascunhos, mas aqui ele surge com os produtos finais, rugindo como um ex-vampirão regenerado.

 

O que salva o álbum da mais absoluta inutilidade é o fato de que Corgan é bom compositor. O cara sempre surge com algo que desperta a atenção, mas, ainda assim, a cota de acertos é bem baixa. Destaco com boa vontade a interpretação de “Rider”, que poderia ser uma canção de John Mellencamp, mas que tem alguns dos tiques vocais característicos de Corgan ao longo do tempo. “Like Lambs”, ao piano, é outra canção bonita e sombria, que caberia até no Smashing Pumpkins, desde que devidamente transplantada. O resto é o velho carecão soltando faixas com títulos inexplicáveis como “Apologia” (outra boa canção), “Neptulius”, “6+7”, “Anon”, “Martinets”, “Colosseum”, “Cri de Coeur” e aquela aura de mistério desfeito.

 

Se você quer Billy Corgan country, vá em frente, mas não diga que a gente não te avisou.

 

Ouça primeiro: “Rider”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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