Van Halen: Treze canções (mais uma) pra guardar

 

 

No dia seguinte à morte do guitarrista Eddie Van Halen, a gente ainda está olhando para a parede, sem acreditar. O Van Halen era dessas bandas queridas, como se fossem amigas nossas, das quais podíamos ficar anos sem receber uma notícia, mas que, se ouvíssemos alguma canção, seria como se sempre o tivéssemos feito. E com a partida de Eddie, inequivocamente o grupo se desfaz para sempre e a gente, repito, fica sem eira nem beira diante do imponderável. Ao dar a nota de falecimento ontem, tive a ideia de compilar alguns momentos dessa amizade entre o Van Halen e eu, muito mais sólida no passado, na pós-adolescência, do que hoje, na vida pra lá de adulta.

 

Aliás, essa era outra magia do grupo: ser eternamente jovem. Não dá pra ouvir uma canção de qualquer disco que o Van Halen tenha lançado, sem se sentir forte e cheio de gás. Mesmo as faixas dos piores discos, a saber, “Balance” e “Van Halen III”, soam como alguém buscando uma espécie de juventude que está se perdendo, sempre naquele dilema diversão x maturidade que marcou a existência da banda. Seja com Dave Lee Roth, seja com Sammy Hagar – mas não com Gary Cherone – o quarteto sempre há de viver nessas e noutras canções. Fizemos uma listinha com nosso número de fé, 13, separando algumas favoritas pessoais. Façam as de vocês e vamos dar umas voltas pela cidade com o velho Van Halen, ou melhor, com o nunca velho Van Halen, em nosso rádio.

 

 

13 – Cabo Wabo – faixa de “OU812”, lançado em 1988, segundo disco com Sammy Hagar nos vocais da banda. Fala de um local no México, no qual Hagar abriria um nightclub em 1990 e que ainda está lá, com a administração dele. Um rockão de sete minutos, meio diferente do que o grupo fez até então, mas uma bela faixa, a mais longa que o quarteto gravou em disco.

 

 

12 – Oh, Pretty Woman – do ótimo “Diver Down”, de 1982. Atesto, para os devidos fins, que conheci o clássico de Roy Orbison por conta desta versão encrespada do Van Halen. E acho que quase todos os da minha geração foram pelo mesmo caminho. O que é ironia e sofimento do original se transforma em corte e bom humor nesta releitura crocante.

 

 

 

11 – Hang’em High – outra faixa de “Diver Down”, é um rockão meio punk, com guitarras em fogo, manuseadas por Eddie. O outro Van Halen, Alex, dá mais uma prova do quanto é um monstro nas baquetas e os vocais de Dave Lee Roth compõem o clima de festa e correria dentro da noite. Uma cacetada.

 

 

10 – Runnin’ With The Devil – um dos clássicos absolutos da banda, faixa de abertura do disco de estreia, lançado em 1978. O que dizer dessa música? Um hino hard rock, uma pequena obra prima de bolso, um troço louco, com ritmo marcado por baixo e bateria, cheio de riffões de guitarra maiores que a vida.

 

 

9 – Unchained – faixa de “Fair Warning”, de 1981, com um pouco do andamento e das guitarras que seriam melhoradas em “Panama”, de três anos depois. Aqui a química vai pelo baixo pulsante de Michael Antony e pela constante riffarama de comercial de carro que Eddie dispara.

 

 

8 – Right Now – canção presente em “F.U.C.K’, de 1991 e uma das melhores faixas que o grupo registrou com Sammy Hagar. Conseguiu furar o bloqueio imposto pelo grunge na MTV nacional e o clipe de “Right Now” se firmou como um dos mais legais de todos os tempos. A canção não fica atrás.

 

 

 

7 – Hot For Teacher – faixa de “1984”, o grande disco da história do Van Halen. Quem nunca ficou “ligadão” pela professora ou professor? Pois o Van Halen leva isso às últimas consequências, em outro rockão meio country, superlativo, sacana e cheio de bom humor. Outra porrada.

 

 

 

6 – Why Can’t This Be Love – canção que puxou “5150”, primeiro disco da banda com Sammy Hagar nos vocais, lançado em 1986. Aqui há vários destaques: o ótimo desempenho vocal de Hagar, a guitarra cheia de efeitos de Eddie e a bateria mastodôntica de Alex, em simbiose total com o baixo de Anthony. Nada fora do lugar, tudo perfeitinho e um dos refrões mais legais da década, sem exagero.

 

 

5 – Eruption/You Really Got Me – um dos melhores solos de Eddie já veio logo no primeiro álbum, de 1978, quase emendado na brilhante cover para o clássico dos Kinks. Aliás, é justo que se diga o quanto o Van Halen teve bom gosto em escolher canções para fazer versões, sempre fazendo bonito.

 

 

 

4 – Jump – talvez a música mais conhecida do grupo, de “1984”. O clipe invadiu todas as televisões do mundo, o solo de Eddie é um dos mais antológicos da década e seu manuseio do sintetizador, criando um dos riffs mais conhecidos da história, são fatores para o amor incondicional a “Jump”. Ganhou uma cover impressionante do Aztec Camera em 1985.

 

 

3 – Dance The Night Away – uma obra prima é o que se pode dizer desta canção, presente no segundo disco da banda, “Van Halen II”. Música de festa, de felicidade, de amor, de sair com os amigos, propulsionada por um riff perfeito e uma das melhores performances de Dave Lee Roth nos vocais. Uma maravilha de felicidade rock’n’roll.

 

 

2 – Ain’t Talking Bout Love – outra faixa do primeiro disco, mais uma obra prima de manuseio de riffs e licks de guitarra, colocados a serviço de uma melodia perfeita e temos um clássico do hard rock em todos os tempos. Chegou a receber uma releitura techno nos anos 1990, a cargo do holandês Apollo 440.

 

 

1 – Panama – o momento máximo do grupo. O maior solo de Eddie está aqui, a melodia é perfeita, o clipe é sensacional e a banda toda está a serviço da mais absoluta diversão/esbórnia total. Tudo funciona às mil maravilhas aqui. Hino atemporal.

 

 

 

Bônus – Beat It, Michael Jackson – a participação de Eddie numa das mais badaladas canções de “Thriller” gerou burburinho e expectativa. Não por acaso, porque o homem colocaria na gravação de um de seus mais antológicos solos, dando uma dimensão roqueira que nenhum outro trabalho de Jackson teria. Clássico.

+1

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

3 thoughts on “Van Halen: Treze canções (mais uma) pra guardar

  • 7 de outubro de 2020 em 23:56
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    Muito bom, somos da mesma geração e Pretty Woman veio através do Van Halen mesmo. Havia também uma sequência matadora ao vivo: Hear About It Later / So This is Love / Unchained que passava sempre no Som Pop no canal 2 – TVE.
    O Van Halen podia ter rendido muito mais.
    Fato, a turnê em janeiro de 1983 serviu de combustível para a cena metal do balneário.
    Eddie foi cedo demais.

    +1
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    • 7 de outubro de 2020 em 15:29
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      Obrigado, querida!

      0
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