Morreu Eddie Van Halen

 

 

A gente sempre trazia na vida um show que gostaria de ter visto. Confesso que o Van Halen do início dos anos 1980, com Dave Lee Roth nos vocais, Michael Antony no baixo e os irmãos Alex e Eddie Van Halen, respectivamente na bateria e na guitarra, era uma das bandas que mais queria ter visto.

 

Virtuoso, criativo, um dos maiores da história. Estes eram adjetivos usados para fazer referência a Eddie Van Halen, que nos deixou hoje, perdendo sua longa e árdua batalha para o câncer. Formado em 1972, mas iniciando sua trilha de sucesso em 1978, o Van Halen era um quarteto californiano de hard rock, mas que não tocava o estilo como tal. Era algo mais fluido, pirotécnico, cheio de boas sacadas, cortesia o estilo de Dave e da guitarra ímpar de Eddie. Ao longo da carreira, o grupo teve três vocalistas e outros baixistas, mas os irmãos Van Halen foram a constante. O álbum de inéditas mais recente da banda havia sido “A different kind of truth”, de 2012, décimo segundo da carreira do grupo.

 

O sucesso do grupo veio logo de cara. A bordo da canção “Ain’t Talking Bout Love”, já dava pra ver que as guitarras eram algo distinto. Usadas com inteligência e a serviço da própria construção da música, Eddie despontava como um dos maiores do instrumento e não tardou a colecionar hits com o grupo. Fosse com covers bem sacadas, como as de “Dancing In The Street”, “Oh, Pretty Woman” ou “You Really Got Me”, ou com inúmeras músicas próprias como “Runnin’ With The Devil”, “Eruption”, “Everybody Wants Some”, o Van Halen era uma das forças musicais mais poderosas do início da década de 1980, até que veio seu álbum “1984”, o sexto de sua carreira. E tudo ficou ainda maior.

 

Hits como “Jump”, “Panama e “Hot For Teacher”, sempre impulsionados por clipes de alta rotação na MTV, fizeram o Van Halen se tornar uma das bandas de hard rock mais bem sucedidas do planeta naquele momento. A saída de Dave Lee Roth fez com que o grupo perdesse um pouco do carisma, mas a chegada de Sammy Hagar conferiu um pouco mais de peso para a receita sonora, sem perder o olho nas paradas, algo que se materializou com o ótimo – e subestimado – disco “5150”, de 1986. Ele ainda ficaria na banda até 1995, participando do ótimo “F.U.C.K”, de 1991, até o estranho “Balance”. Em seu lugar, Gary Cherone, ex-Extreme, segurou a onda vocal em “Van Halen III”, de 1998. Depois de um longo tempo e de projetos abortados, o Van Halen ressurgiu com “A different kind of truth”, que marcou o retorno de Dave Lee Roth aos vocais e a substituição de Michael Antony pelo filho de Eddie, Wolfgang, no baixo.

 

Com Eddie vai-se embora mais uma das bandas legais que a gente tinha na adolescência. Porque podemos ter Van Halen sem qualquer integrante, menos sem ele. Que anime a grande orquestra celestial, cada vez mais cheia de bambas.

 

 

+4

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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