Tavito (1948 – 2019)

Luis Otávio de Melo Carvalho era cantor, instrumentista e compositor mineiro, completou seu 71º aniversário no  dia 26/01/19. Integrante da galera de músicos que formaria o Clube da Esquina, Tavito teve participação importante mas não é das figuras mais lembradas. Sua canção mais conhecida é “Casa no Campo”, uma parceria com Zé Rodrix, gravada por Elis Regina, mas “Rua Ramalhete”, canção composta e gravada por ele em seu primeiro álbum, de 1979, é sua jóia mais preciosa.

Ela narra as lembranças da juventude do autor, vivida em Belo Horizonte, em meio a bailes, paqueras e o cotidiano normal da época, no caso, meados dos anos 1960. Como testemunha dos fatos, Tavito vai contando sobre as meninas que estudavam no colégio próximo, as festinhas no clube da esquina – aludindo ao famoso coletivo de músicos ao mesmo tempo – e erguendo um painel bem preciso dos fatos. Há a menção aos Beatles, ao desejo de vê-los ao vivo e a sutilíssima citação da introdução de “Here Comes The Sun”, sucesso do grupo inglês, gravado em 1969 e lançado em 1970.

“Rua Ramalhete” também é integrante de um tipo de canção pop anglo-americana herdeira dos mesmos anos 60, com o espírito idílico da época, no qual uma vida ideal é pensada e colocada como personagem da composição, neste caso, o passado saudoso. Várias canções gravadas por músicos mineiros ao longo dos anos 1970 têm o tom esperançoso/saudoso sobre vida ideal, um traço tardio do pensamento hippie, reverberado por aqui desta maneira.

Tavito também teve muito êxito na carreira publicitária, compondo vários jingles para marcas famosas, com a Caixa Econômica Federal (o antológico “vem pra Caixa você também”), CCAA e até para a seleção brasileira de futebol.

Ele faleceu por conta de complicações decorrentes de câncer.

Uma perda irreparável.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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