Sonic Youth – Battery Park, NYC: July 4th 2008

 

Gênero: Rock alternativo
Duração: 44 min
Faixas: 10
Produção: Sonic Youth
Gravadora: Matador

4 out of 5 stars (4 / 5)

 

Sinto sinceras saudades do Sonic Youth. A banda novaiorquina foi responsável pela inserção do barulho na música alternativa americana do meio dos anos 1980 em diante. Quando digo “música alternativa”, me refiro ao filão do rock universitário, que daria em Pixies e Dinossaur Jr mais à frente e, daí em diante, no Nirvana, nas Breeders e em toda essa linhagem do rock americano noventista realmente interessante. Os ex-integrantes seguem lançando gravações raras feitas em shows da banda e agora soltam este adorável “Battery Park, NYC”, que contém o registro de uma apresentação no quintal de casa dos sujeitos, realizada em pleno verão de 2008, cerca de um ano antes da banda encerrar atividades, fato marcado pelo lançamento de seu último disco de inéditas, “The Eternal”.

 

Sendo assim, o que temos por aqui é um set curto – dez faixas, 44 minutos – mas extremamente afiado e cheio de mimos para os felizardos que lá estavam. A mágica do Sonic Youth sempre foi o cabo de guerra entre esporro e melodia, uma disputa que, quase sempre, terminava empatada. À medida que o tempo foi passando, a banda foi pendendo naturalmente para o lado da melodia, mas esta teoria furada de minha autoria se comprova ainda mais imprecisa neste set. A pancadaria come solta mas nunca vem desacompanhada. Acordes e harmonias ora explícitas, ora soterradas na microfonia, sustentam a audição e oferecem pequenos truques de mágica. Ou seja, o Sonic Youth em seus últimos meses ainda era o mesmo de sempre, inalterado pela ação do tempo.

 

Para constatar isso, vá direto à versão de “Hey Joni”, a quinta faixa, quase um punk rock existencial e declamado sobre uma cama de microfonia e guitarras apitantes. Esse é o velho SY, especialmente porque o original da canção é de 1988, ou seja, tinha 30 anos quando esta versão ao vivo foi gravada e soava – ainda soa – novinha em folha. Assim como ela, a majestosa “The Sprawl”, mais uma faixa do maravilhoso álbum “Daydream Nation”, mostra o que a banda sabia fazer melhor: épicos. Sim, faixas com mais de seis, sete minutos, alternando céu e inferno. Aliás, falando neste disco, a sua trilogia de encerramento está presente aqui, ao vivo: “The Wonder”, “Hyperstation” e “Eliminator Jr” surgem impávidas e colossais.

 

Se o show abre com “She’s Not Alone”, uma raríssima faixa do primeiro EP do grupo, lá de 1982, ele caminha pro fim com dois “hits” da banda em seus gloriosos anos: “Bull In The Heather” e “100%”, pra fechar com outra pancada do passado: “Making The Nature Scene”, do jurássico álbum “Confusion Is Sex”, de … 1983.

 

Este “Live At Battery Park” é uma pequena joia para ouvidos saudosos da experimentação a serviço do rock e do big bang de melodias barulhentas que surgem por milagre de uma nota dissonante. Como eu disse, sentimos saudades.

 

Ouça primeiro: “The Sprawl”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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