Ric Ocasek – 1949-2019

 

 

Quem estava prestando atenção em música nos anos 1980, há de se lembrar da MTV e dos clipes como forma de expressão para artistas novos e velhos. E quem lembrar destes pequenos filmes, haverá de lembrar-se de “You Might Think”, canção que puxava o álbum “Heartbeat City”, de 1984. Apesar de novo para a maioria das pessoas, The Cars, o grupo que entoava a tal música, já estava no quinto disco. O vídeo trazia o vocalista do grupo num corpo de mosca, voando na direção do espectador. Era ele, Ric Ocasek.

 

Foi com tristeza que vi a notícia da morte de Ric logo hoje cedo. Por conta de mil afazeres domésticos e jornalísticos, estou escrevendo este obituário afetivo apenas agora, perto das 19h. É tarde, eu sei, mas quero prestar homenagem ao sujeito. Além de “You Might Think”, o disco de 1984 dos Cars ainda trazia, pelo menos dois sucessos: “Magic”, que também tinha um clipe inspirado e legalzão, rodado numa piscina, “Hello Again” e a belíssima “Drive”, uma das baladas mais lindas da pop music, sem exagero. Interessante notar que ela destoa totalmente o espírito bem humorado com o qual a banda parecia de identificar, pelo menos a olhos que a viam com novidade – meu caso. “Drive” era cantada pelo baixista Benjamin Orr, que morreu pouco tempo depois, fazendo com que os Cars logo deixassem de existir.

 

Qual não foi a surpresa de saber que Ocasek, não só tinha uma carreira solo, como enveredou pela produção de discos, assinando, entre outros, o “Blue Album”, estreia do Weezer, de 1994. É, no entanto, no passado dos Cars que está a maestria de Ric: mistureba de pop sessentista enguitarrado com atitude new wave e apreço pela guitarra e pelo formato dançante e fluido. Deu certo e “Heartbeat City” parecia acenar uma mudança de direção rumo a um pop mais estilizado, que não se concretizou. Fica a belezura de discos como o homônimo, de 1978 e “Candy-O”, do ano seguinte, com capa icônica.

 

Ocasek morreu por conta de problemas cardíacos e deixa um legado considerável em meio ao bom pop rock americano.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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