Paul Weller – On Sunset

 

 

Gênero: Rock alternativo

Duração: 68 min.
Faixas: 15
Gravadora: Polydor
Produção: Paul Weller e Jan Kybert

4.5 out of 5 stars (4,5 / 5)

 

Gente, o décimo-quinto álbum do “Modfather” é um dos mais belos de sua carreira. Digo “belo” porque é um disco em que há uma quantidade imensa de melodias, arranjos, sacadas de estúdio e momentos em que Paul Weller nitidamente teve a intenção de buscar a beleza acima de qualquer outro objetivo “artístico”. E ele fez isso sem apelar para fórmulas batidas, como, por exemplo, a nostalgia ou a revisita, recursos que poderiam surgir como alternativas simples para alguém que está envolvido na música desde 1972, quando montou uma das bandas maiores que o punk, The Jam. Quem conhece o homem, no entanto, sabe que ele jamais pega atalhos fáceis, pelo contrário. Weller não abre mão de fazer exatamente o que está a fim de fazer e, certamente por isso, tem uma média impressionante de belos trabalhos ao longo de sua trajetória. Este “On Sunset” é um de seus grandes acertos no alvo.

 

As dez faixas “normais”, mas as cinco canções presentes na edição de luxo de “On Sunset” mostram, em sua totalidade, os estilos que Paul foi apurando e lapidando neste tempo. Temos a prevalência daquelas belas faixas em que ele faz soul music à sua maneira, bem no estilo de um inglês fascinado pela Motown e pelos grandes baluartes da música negra lá nos anos 1970. Quando faz rock psicodélico, Weller busca inspiração nas canções de Beatles e The Who, se apropriando de tudo e fazendo estas frases, citações, passagens se tornarem suas. E quando tem a coragem de fazer canções que dão de ombros para qualquer limite comercial, ele o faz com graça e estilo. Por isso não há qualquer momento desperdiçado neste disco, que é coeso pela capacidade de soar tradicional e novo ao mesmo tempo, terrivelmente Paul Weller, como há muito não se ouvia.

 

“On Sunset” tem, como dissemos, alguns momentos experimentais extremamente belos. A faixa de abertura, “Mirror Ball”, é um deles. São mais de sete minutos e meio de alternâncias entre uma melodia linda e vários tipos de efeitos psicodélicos, que dão a impressão de estarmos num foguete rumo à atmosfera e, sem que seja possível notar, como num piscar de olhos em câmera lenta, já estamos vendo o grande e brilhante globo azul e branco flutuando no espaço. Em “Baptiste” e “Old Father Tyme”, PW vai em frente nessas versões soul que lhe são tão familiares. Ele as fez de diversas formas, sempre demonstrando que tem um estilo muito pessoal. A segunda é, além de uma clássica soul ballad, uma bela composição com metais, pianos e algo de psicodélico aqui e ali. Mas pensar em “On Sunset” como um disco só com baladas soul ou faixas psicodélicas é reducionismo.

 

Há vários momentos adoravelmente inclassificáveis. Tem “Village”, que é uma canção que poderia estar em “Heavy Soul”, disco que Weller lançou em 1997. Tem “More”, que exibe percussões eletrônicas em meio a uma levada lenta e enigmática. A faixa-título é uma impressionante canção de nuances e detalhes, que crescem muito quando estamos com fones de ouvido, abrindo espaço para os momentos mais ousados que Paul Weller grava em muito, muito tempo. “Equanimity” é uma inesperada canção mccartneyana, safra 1970/71, enquanto “Walkin'” é uma adorável visita a algo que poderia ser de um Elton John na mesma época. E “Earth Beat” é a síntese de eletrônica e instrumentos “de carne e osso”, com um Weller sobrevoando tudo, com janela panorâmica, vendo a tudo de um dirigível que muda de cor de acordo com o momento do dia.

 

“On Sunset” é surpreendente e maravilhoso para fãs e neófitos, um disco que cresce à cada audição, revelando nuances, detalhes e belezas inesperadas. Uma lindeza sem par.

 

Ouça primeiro: “Mirror Ball”

 

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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