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Massive Attack + Tom Waits vs. ICE

 

 

 

Saiu a colaboração inédita entre o Massive Attack e Tom Waits com a impressionante “Boots On The Ground”. É um marco que transcende o lançamento musical para se consolidar como um manifesto político urgente e sombrio contra o avanço do autoritarismo e a militarização policial no hemisfério ocidental.

 

Ao denunciar as violentas investidas do ICE contra comunidades migrantes, o assassinato de civis e a repressão brutal a protestos — simbolizada por um vídeo que conecta o caso George Floyd às vítimas recentes de 2026 —, a canção assume uma importância vital como ferramenta de resistência e memória histórica.

 

Com uma sonoridade ameaçadora que serve de base para a voz inimitável de Waits, o projeto não apenas expõe as feridas do neofascismo e a negligência com veteranos e sem-teto, mas também converte sua existência em ação direta: todas as receitas são destinadas à ACLU e ao Immigrant Defense Project, enquanto sua edição física em vinil “EcoSonic” estabelece um novo padrão de responsabilidade ambiental ao utilizar materiais 100% reciclados.

 

O lançamento de “Boots On The Ground” carrega um peso histórico adicional ao quebrar longos períodos de silêncio discográfico de ambos os artistas. Para Tom Waits, a faixa representa seu primeiro material original em 15 anos, sendo o primeiro registro de estúdio desde o aclamado álbum “Bad As Me”, de 2011. Já para o Massive Attack, este é o primeiro lançamento oficial desde o EP audiovisual “Eutopia”, de 2020, e o primeiro single físico disponível comercialmente em uma década.

 

Esse hiato prolongado apenas reforça o caráter excepcional da colaboração, sugerindo que foi necessária uma conjuntura política e social tão aguda quanto a de 2026 para que essas vozes fundamentais voltassem a se manifestar.

 

 

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é mestre em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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