Freddie Mercury – Never Boring

 

Gênero: Rock
Duração: 131 minutos
Faixas: 32
Produção: Vários
Gravadora: Universal

3.5 out of 5 stars (3,5 / 5)

 

Encaixotaram Freddie Mercury. Era de se esperar, dado o tsunami de fama renovada que se abateu sobre ele e o Queen, a partir do lançamento – e premiação – do filme “Bohemian Rapsody”, no ano passado. Entretenimento sincero e despreocupado, o longa apresentou Mercury e sua banda a uma geração ainda mais nova de fãs em potencial, bem como – se fosse preciso – reafirmou sua importância junto aos velhos admiradores de outros tempos idos. Sendo assim, não é de espantar que a indústria do disco lance todos os trabalhos solo de Freddie numa caixa luxuosa, cheia de enfeites, posters, um livro de frases contendo um prefácio assinado por Rami Malek, que o interpretou no cinema. Além disso, claro, a parte musical está presente, com os … 1,5 discos solo que Freddie gravou fora do Queen. Sim, é isso aí.

 

Além do ótimo solo “Mr. Bad Guy”, lançado em 1985, do qual já falamos aqui na Célula Pop, o pacotão traz o sofrível “Barcelona”, gravado com a cantora lírica espanhola Montserrat Caballe, em 1988. Sim, os mais atentos sabem que este tipo de gravação era um desejo antigo – realizado – de Freddie, o que levaria o conteúdo musical do disco a um plano, digamos, afetivo. Mas é algo indicado apenas para fãs muito dispostos. Além deles, há uma nova coletânea, chamada “Never Boring”, que traz os maiores sucessos destes discos e algumas gravações ciganas de Freddie, como a versão – fraca, no mínimo – que ele fez para “The Great Pretender”, dos Platters. Acompanha também um blu-ray, com vídeos, performances e tudo mais.

 

O que é mais legal aqui, sem dúvida, é o relançamento destes discos, que terão edições avulsas. Sendo assim, é mais do que banca pensar em ver uma cópia de “Mr Bad Guy” saindo por aqui, devidamente remasterizada pelos engenheiros de som que foram responsáveis por “Bohemian Rapsody” no cinema. O disco sai numa edição com onze faixas, incluindo a bela baladona pianística “Love Me Like There’s No Tomorrow”, que antecipou o lançamento da caixa.

 

Não se discute a relevância de Freddie para a música pop, especialmente para os fãs do Queen, mesmo que a banda tenha em Brian May, Roger Taylor e no sumido John Deacon, forças criativas relevantes. Todas estas faixas encaixotadas por aqui já foram previamente lançadas, restando ao fã mais agudo a contemplação do uso da mais avançada tecnologia de estúdio para ouvir os vocais de Mercury com o máximo de pureza possível para este fim de 2019. Para muita gente, valerá o esforço.

 

Em tempo: há uma versão compacta de “Never Boring”, na forma de uma coletânea de 12 faixas, trazendo seus maiores hits. Talvez esta seja, sim, lançada por aqui como se fosse algo novo. Não será.

 

Ouça primeiro: “I Was Born To Love You”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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