Como é péssimo o empresariado brasileiro

 

 

luciano hang, também conhecido como véio da havan. roberto justus. júnior durski. carlos guerra, dono do giraffas. joão dória jr. O que estes sujeitos têm em comum? Várias coisas. São empresários brasileiros, apoiaram o governo federal, negam a gravidade do coronavírus. E estão dando declarações que só fazem confirmar sua condição de pessoas incapazes de demonstrar empatia, sensibilidade e preocupação com o próximo.

 

Não deveria ser novidade. justus costumava emular donald trump ao humilhar e demitir candidatos a uma vida corporativa em sua “atração” “o aprendiz”. Foi substituído por … joão dória jr, outro sujeito famoso por sua consideração com o próximo e o mais necessitado. justus disse ontem que o prejuízo do país será bem maior que as 12 mil mortes de velhinhos e pessoas em comunidades por conta do coronavírus.

 

hang é conhecido por suas declarações a favor do atual governo. pelo seu mau gosto ao colocar templos gregos e réplicas da Estátua da Liberdade na porta das filiais de sua loja. Também é conhecido por achar desnecessária a adequação das calçadas aos deficientes físicos e visuais, dizendo que é um gasto desnecessário. Também é devedor de enorme montante em dinheiro para a Receita Federal.

 

durski é o dono do madero, aquela rede de restaurantes paranaense que diz fazer o melhor hamburguer do mundo. Ele é o cara que é sócio de luciano huck, que aparece fazendo receita de maionese da vovó, que criou um centro de preparo para garçons e funcionários de suas próprias lojas, uma “faculdade de garçons”, batendo no peito como se estivesse fazendo algo muito útil pelo país. Também é o cara que disse que a economia brasileira não deve parar por conta de 5 mil ou 7 mil mortes.

 

O mais recente a engrossar esta lista de vergonha é carlos guerra, o dono do giraffas, outra rede de restaurantes. Este sujeito disse que o trabalhador brasileiro “está descansando em casa”, que o home office “é fácil” e que ele – o trabalhador – deveria aproveitar o tempo livre para se preocupar em perder o emprego.

 

Esta mesma postura é notada no atual ocupante da presidência da República, que se refere ao covid-19 como “gripezinha”, que a pandemia “é exagero” e que teremos mais prejuízo com a economia. Junto com ele está seu guru, o astrólogo olavo de carvalho, que não acredita nem que haja pandemia.

 

O que podemos depreender disso? Que esta gente é má. Que eles são movidos apenas por interesse próprio. Que não têm empatia.

 

Mas, ora, tudo isso a gente já sabe.

 

O que a gente PRECISA se dar conta é que podemos – E DEVEMOS – prejudicá- los, não consumindo seus produtos, não entrando em suas lojas e, acima de tudo, não fazê-los famosos por falarem barbaridades. Esta gente é o mais puro extrato da elite nacional, mal formados, sem humanismo, sem noção, voltados apenas para o lucro. São pessoas que não se enxergam como humanos comuns, se sentem donos de um status de intocáveis, de acima do bem e do mal, que se acham justificados por algum trabalho ou atividade que exerçam e que lhes dê lucro. Pra eles, o lucro é o único código de valor. Se você o tem, ótimo. Do contrário, você pode morrer numa estatística de pandemia, tanto faz.

 

Esta gente é o que há de pior. Talvez o covid-19 tenha chegado para expô- los e mostrar a todos como eles são danosos para qualquer sociedade que se pretenda solidária e comunitária.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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