Belle And Sebastian – Days Of Bagnold Sumner

Gênero: Rock alternativo
Duração: 42 minutos
Faixas: 13
Produção: Stuart Murdoch
Gravadora: Matador

3 out of 5 stars (3 / 5)

 

O grupo escocês Belle And Sebastian é tudo, menos preguiçoso. Os caras têm apreço pela produção musical, volta e meia estão em estúdio e emprestam sua criatividade a vários projetos. Este “Days Of Bagnold Sumner” é a trilha sonora de uma adaptação cinematográfica de uma história em quadrinhos. O legal no projeto é que ele traz canções novas, compostas recentemente, como algumas outras que foram engavetadas há muito tempo. Isso dá uma característica novidadeira ao disco, tornando sua audição mais desenbaraçada em relação ao contexto da história e/ou do filme. Mesmo assim, o resultado mostra um pouco menos do que poderia. Vejamos.

 

A delicadeza está presente – como em todo disco do grupo. Climas acústicos, metais, cordas, sopros, além da belezura de marca registrada de Stuart Murdoch, o compositor principal da banda, que parece procurar formas cada vez mais imaculadas de pop de natureza sessentista-que-nunca-existiu. São derivações do que havia de mais belo e ingênuo então, de Simon & Garfunkel a The Free Design, tudo lindo, bem feito, lírico e, se não for muito bem pensado, tendendo para a chatice após algumas audições.

 

É o que acontece ao longo do álbum. O conjunto de composições que Belle & Sebastian entrega, apesar da peculiaridade de unir tempos diferentes em termos de canções, não tem fôlego dentro da fórmula do grupo. Mesmo que a gente tenha alguns belos momentos, especialmente o instrumental “Jill Poll”, que parece uma raridade recém-descoberta de algum grupo obscuro sessentista, porém influente, o resto padece de pouca autonomia de vôo e, via de regra, causa decepção em quem conhece o talento da turma.

 

No terrenos dos acertos ainda estão a cadenciada “Get Me Away From Here I’m Dying”, que lembra algo que a banda já compôs lá nos últimos anos da década de 1990, provendo uma boa sensação de déjà vu. Outro bom momento é a cadenciada “Sister Buddah”, que lembra algo que os Cranberries poderiam ter composto em seu início, mas a melhor canção por aqui é o single “This Letter”, que tem arranjo bossanovista, melodia linda e produção na medida entre a curiosidade e a doçura. Fechando o disco, outra boa faixa: a balada pianística “We Were Never Glorious”, que alterna trechos de diálogos do filme com climas psicodélicos, ganha uma nota 7.

 

Este disco de Belle And Sebastian não se insere no melhor de sua produção, mas serve para manter a banda viva e atiçar o colecionismo dos inúmeros fãs, que vão encontrar vários jeitos de amá-lo e justificá-lo.

 

Ouça primeiro: “This Letter”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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