Treze Melhores Acústicos MTV Nacionais

 

Hoje a MTV Brasil faria 30 anos e uma de suas marcas foi o “Acústico”. Versão nacional do “Unplugged” gringo, o programa tinha como objetivo trazer bandas e artistas e colocá-los ao vivo, tocando suas canções mais interessantes em formato desplugado, ou seja, sem instrumentos elétricos. Com o passar do tempo, esta premissa foi deixada de lado, sendo substituída por versões intimistas e diferentes dos originais. Os primeiros programas feitos aqui não tiveram muito alarde, mas, a partir do episódio com os Titãs, o formato ganhou força e quase se tornou uma cobrança comercial para artistas de todas as dimensões.

 

Logo todo mundo estava atrás do “seu acústico”, numa onda que pegou de Art Popular a Roberto Carlos, passando por Charlie Brown Jr e Paulinho da Viola. Num universo de tanta gente e com tanta opção bacana, a gente deu uma boa garimpada e elegeu os treze “Acústicos MTV” nacionais de todos os tempos. O critério foi simples: ter sido exibido pela emissora e sido lançado em disco. Sendo assim, aqui está a nossa listinha.

 

 

13) Lulu Santos (2000) – um dos últimos momentos de real criatividade da carreira de Lulu Santos, que ainda lançaria o bom “Bugalu”, em 2003 e só retomaria alguma relevância com o álbum mais recente, “Pra Sempre”, do ano passado. Neste Acústico – o primeiro duplo lançado no país – ele desfila seu repertório dourado e tem a participação de Gabriel Pensador em “Astronauta”.

 

 

12) Moraes Moreira (1995) – excelente álbum que mostra a versatilidade de Moraes Moreira antes dos Noivos Baianos terem o reconhecimento artístico que tiveram ao longo dos anos 1990. Moraes desfila sucessos da banda como “Mistério do Planeta” e “Preta Pretinha”, mas também abre muito espaço para clássicos de sua carreira solo, como “Meninas do Brasil”, “Pombo Correio” e “La Vem O Brasil Descendo A Ladeira”.

 

11) Kid Abelha (2002) – apenas de legal, este disco poderia ser muito melhor. Mesmo assim, há algumas ótimas versões de sucessos do Kid, especialmente a “re-versão” de “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda”, com participação de Lenine ou a leitura de “Mudança de Comportamento”, do Ira!, com presença de Edgard Scandurra, que também está em “Como Eu Quero”.

 

10) Charlie Brown Jr (2003) – Em 2003 o Charlie Brown Jr estava no ápice de sua popularidade e o bacana deste “Acústico” é a capacidade da banda em revirar seus sucessos totalmente e oferecê-los em versões criativas, mesmo nos moldes do programa, ou seja, “desplugadas”.

 

9) Roberto Carlos (2001) – ainda que o Rei tenha participado do programa em seu “modo churrascaria”, ele, que é incapaz de errar, se saiu com versões muito bonitas de “Além do Horizonte”, “Todos Estão Surdos” (que virou clipe) e “Detalhes”, executada por ele ao violão. O CD teve problemas pra sair por conta de problemas contratuais de Roberto com a Abril – dona da MTV nacional – e a Sony, sua gravadora. Mas saiu e é legal.

 

8) Rita Lee (1998) – um excelente programa que capturou a Rainha Máxima do Rock Nacional em ótimo momento, contando com participações especiais bem bacanas (Milton Nascimento em “Mania de Você” e os Titãs em “Papai Me Empresta o Carro” são bons exemplos) e um repertório invencível: “Flagra”, “Desculpe O Auê”, “Nem Luxo Nem Lixo”, “Jardins da Babilônia” e por aí vai. Poderia ter uma versão de “Saúde” e outra de “Vírus do Amor”, mas tudo bem.

 

7) Legião Urbana (1992/1999) – mesmo gravado em 1992 e lançado apenas sete anos depois, o “Acústico” da Legião Urbana tem um minimalismo interessante. Sem convidados e cheio de covers – que vão de Joni Mitchell, passam por Jesus Anda Mary Chain e chegam a … Menudo – é um álbum com cara própria e que desafiava o formato do programa, ainda que fosse, de fato, eminentemente acústico. Destaque para a versão de “Teatro dos Vampiros”, melhor que a original.

 

 

6) Paulinho da Viola (2007) – o grande mérito deste “Acústico” foi apresentar Paulinho da Viola para uma nova e potencialmente ávida audiência. Além disso, as versões são belíssimas, cheias de sentimento e polidez. Clássicos como “Sinal Fechado”, “Para Um Amor No Recife”, “Nervos de Aço”, “Tudo se Transformou” desfilam solenes ao longo do álbum. Uma lindeza de outro tempo.

 

5) Titãs (1997) – um dos mais bem sucedidos “Acústicos MTV” em termos comerciais, também promoveu uma mudança de paradigma nos Titãs, que enveredaram por uma fase de criatividade menos exuberante do que haviam tido até então. Mesmo assim, há momentos dourados ao longo do álbum, especialmente na versão de “Go Back”, com participação de Fito Paez e misturada com Bob Marley e Pablo Neruda.

 

 

4) Cássia Eller (2001) – O grande momento de Cássia Eller, reafirmando a sua postura musical diversa e abrangente, indo muito além do rock, estilo pelo qual ela ficaria marcada. Só as versões de “Top Top”, “Quando a Maré Encher” e “Nós” já valem o álbum, mas ainda tem muito mais.

 

 

3) Jorge Ben (2002) – uma festa para os ouvidos, com Jorge trazendo duas bandas para acompanhá-lo, uma em cada CD. A Admiral Jorge V comanda as ações em canções do repertório mais antigo do homem, enquanto A Banda do Zé Pretinho dá as cartas no outro álbum. E tome clássico sobre clássico, com “Taj Mahal”, “Que Pena”, “O Namorado da Viúva”, “Balança Pema” e por aí vai.

 

2) Gilberto Gil (1994) – um clássico no repertório de Gil, que soube se valer de uma banda afiadíssima de acompanhamento e não poupou ótimas sacadas no repertório, começando por sua parceria com Herbert Vianna, “A Novidade”, que se tornou o maior hit do baiano na década de 1990. Além disso, ele revisitou canções de todas as fases da carreira, com ênfase nos anos 1970/80, indo de “Refazenda” a “Tempo Rei”, de “Tenho Sede” a “Drão”.

 

1) Paralamas do Sucesso (1999) – o melhor “Acústico MTV” até hoje pertence aos Paralamas do Sucesso, que misturaram várias canções obscuras do repertório, covers bem sacadas, citações sensacionais e uma banda que toca por telepatia. Destaque absoluto para “Navegar Impreciso”, “Lourinha Bombril”, “Meu Erro”, refeita por Zizi Possi, “Manguetown”, a homenagem a Beto Guedes em “Feira Moderna” e uma ótima “Uns Dias”, com tonalidades zeppelinianas. Uma cacetada.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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