Stereophonics – Kind

 

 

Gênero: Rock
Duração: 42 minutos
Faixas: 10
Produção: Kelly Jones e George Drakoulias
Gravadora: Warner

3 out of 5 stars (3 / 5)

 

Rapaz, quem se importa com o Stereophonics? Apesar de parecer, esta pergunta não é retórica para colocar em dúvida o valor da banda galesa, que está lançando este “Kind”, seu décimo-primeiro disco. É por curiosidade mesmo. Afinal de contas, ao longo desta trajetória de quase … 30 anos, o Stereophonics sempre se manteve numa confortável Segunda Divisão do rock britânico, na maior parte do tempo. Fizeram um sucesso maior lá pelo início dos anos 2000, mas, hoje em dia, parecem irrelevantes, certo? Errado. Os caras estão no primeiro lugar das paradas britânicas de rock e … pela sétima vez.

 

Tal fato é endossado pelos quase três milhões de ouvintes mensais que o perfil do grupo no Spotify recebe. Eu diria que os caras vão bem o bastante, melhor que muita banda mais aclamada, como Wilco, Travis ou os conterrâneos Manic Street Preachers, por exemplo. Sendo assim, Kelly Jones e cia, têm méritos e eles são os responsáveis pela longa duração dos Stereophonics ao longo do tempo e, se eu posso arriscar algo, diria que é o talhe clássico de seu rock alternativo que dá a eles a distinção e a chave da longa duração. O grupo sempre teve uma pegada à la Faces/Rod Stewart solo e isso permaneceu ao longo do tempo. É quase uma versão britânica e mais light dos Black Crowes e a produção de George Drakoulias neste disco só faz comprovar esta teoria.

 

E o que temos por aqui? Nada demais, quer dizer, boas e corretas canções pop com acento mais próximo de um rockão clássico e decente. Há um toque aqui, outro ali, de eletrônica mas como ferramenta de estúdio, nada que vá se misturar com o produto final. Tudo parece feito para tocar no rádio e ser cantado em algum estádio por uma multidão dedicada de admiradores. A voz de Kelly segue capaz de emular o rouco de Rod The Mod na medida certa para não se tornar uma cópia deslavada. E tudo soa bem acabado, com produção redonda e bem feita, ainda que nove das dez canções sejam baladas.

 

Destaques? Sim. Temos a boa faixa de abertura, “I Just Wanted The Goods”, com uma levada funky de baixos teores e refrão infeccioso; um baladão dedilhado chamado “Fly Like An Eagle”, em que Kelly se veste de Rod da cabeça aos pés, conseguindo bom resultado; “Make Friends With The Morning” é outra balada, dessa vez soando como um pós-britpop em meio a um clima meio gospel insinuado. “Bust This Town” parece uma canção solo de Liam Gallagher ou uma derivação de “Stop Crying Your Heart Out”, enquanto “Restless Mind” tenta recuperar o clima do rock acústico e baladeiro do início dos anos 1970.

 

“Kind” é um disco correto mas desprovido de um mínimo sopro de novidade. Não há uma molécula de 2019 nele, o que pode ser seu maior predicado para muita gente. Agora, se você quiser reviver os melhores momentos de Oasis, Rod Stewart e The Faces, por que não ir direto a eles?

 

Ouça primeiro: “I Just Wanted The Goods”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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