Rock In Rio 2019 – Titãs e Convidados

Cobertura especial, direto da Cidade do Rock.

 

Gente, sério, não. Titãs é uma banda que tem história, merece respeito, já emplacou inúmeros hits em diversas épocas, mas, hoje, 2019, não funciona mais. Talvez tenha sido engolida pelo espírito do tempo, talvez a debandada gradativa de membros fundadores ao longo dos anos, talvez o cansaço do trio remanescente – Britto, Branco e Tony…O fato é que, no palco, diante do público, a banda soa terrivelmente datada e sem cancha. Não adianta tornar o som mais pesado, o que fica é apenas a memória, provavelmente afetiva.

 

A participação de Erika Martins, ex-Penélope, atual Autoramas, é graciosa e dá um certo molho a “Flores”, mas não funciona muito em “Lugar Nenhum”. O bloco de flashbacks de rock nacional clássico tem força à meia-boca, com obviedades do nível de “Pro Dia Nascer Feliz” e “Aluga-se”, quando tenta algo minimamente original, como em “Orra Meu”, de Rita Lee, o público não se conecta, e o jogo segue.

 

Ana Cañas bem que tenta, sobe no palco e manda um “buceta, porra!!!” e se esgoela para cantar “Comida”, mas fracassa com uma “Sonífera Ilha” sem punch, sem força. Nem a presença lendária de “Edi Rock” foi suficiente para dar algum contorno longe do óbvio.

 

Tudo bem, nem tudo é novidade, nem tudo é boa sacada, grandes shows existiram, existem e existirão baseados apenas em nostalgia, mas é condição sine qua non que a banda esteja disposta. Hoje, no Palco Sunset, os Titãs remanescentes pareciam cochilar.

 

Pena.

 

Setlist:

Homem Primata
Flores
Lugar Nenhum
Go Back
Pro Dia Nascer Feliz
Aluga-se
Orra Meu
Comida
Sonífera Ilha
Cabeça Dinossauro
Epitáfio
O Pulso
Diversão
Bichos Escrotos
Polícia
AAUU

 

Foto: Adriana Vieira

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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