Rock In Rio 2019 – CPM22 e Raimundos

Cobertura especial, direto da Cidade do Rock

 

Não dá pra subestimar o poder de fogo dessas bandas que pegaram a MTV Brasil ainda no auge. Raimundos – em escala maior – e CPM22 são exemplos claros disso. O público presente à Cidade do Rock conhece todo o repertório de ambas, canta tudo em uníssono, age como se “Palhas do Coqueiro” ou “Regina Let’s Go” fossem as músicas de suas vidas e, ora bolas, não há nada errado nisso.

 

Tocando juntas e intercalando canções, Raimundos e CPM22 fizeram o show curto e direto que podiam. Conm Digão e Badauí nos vocais e os músicos tocando com garra e dedicação, não deram margem pra erros. O problema é não engolir o hardcore bem resolvido de ambas, que, para os mais exigentes, é raso e pouco criativo. Por outro lado, não dá pra esperar que baixe um Bad Religion ou algo no gênero num show como esse. É o que é e ponto final.

 

Talvez por sua associação empresarial com o chef Henrique Fogaça, Badauí seja um contente e realizado representante do “fogaça rock”, algo com cara de mau mas pragmático e eficaz em termos, hum, comerciais, mas sem deixar de lado alguma relevância musical. “Regina Let’s Go”, por exemplo, do primeiro disco da banda, é uma boa canção pop com menos de dois minutos de duração e a presença de Digão, fazendo a segunda voz, funcionou.

 

Já Raimundos teve bala na agulha para ser a maior banda de rock do país em seu tempo, com apenas quatro discos lançados. A força de seu repertório é inegável, o público sabe de cor suas canções e isso tem valor.

 

Ao fim das contas, “Eu Quero Ver O Oco”, “I Saw You Saying” e “Puteiro em João Pessoa” sacudiram os presentes.

 

Eficaz.

 

Setlist:

 

Mulher de Fases
Regina Let’s Go
Palhas do Coqueiro
Dias Atrás
A Mais Pedida
O Mundo dá Voltas
Reggae do Maneiro
Não Sei Viver sem ter Você
Puteiro em João Pessoa
Tardes de Outubro
I Saw You Saying
Desconfio
Me Lambe
Inevitável
Eu Quero Ver o Oco
1 Minuto para o Fim do Mundo

 

Foto: Adriana Vieira

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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