O Chacal – Presepadas Anti-Terror

 

Outro dia, caçando o que ver na Netflix, descobri que um dos piores melhores filmes dos anos 1990 estava disponível: “O Chacal”. Quem estava vivo no planeta àquela época – 1997 – sabe que o filme foi detonado de todas as formas na mídia especializada. As atuações de Bruce Willis e – principalmente – Richard Geere foram massacradas e ridicularizadas, especialmente a de Geere, na pele de um ex-terrorista do Ira, encarcerado numa prisão de segurança máxima nos Estados Unidos. À parte dos dois, o impávido Sidney Poitier, com um agente federal cheio de princípios, em meio a soluções que envolvem chantagem e bandalheira, além de um estreante Jack Black, que se dá muito mal.

A ideia do filme é vagamente inspirada no livro “O Dia do Chacal”, de Frederick Forsyth, no qual um assassino internacional, mestre dos disfarces, é contratado para cometer um crime a serviço de malfeitores. Só que aqui, ao invés do ex-presidente francês Charles de Gaulle, o alvo é um mistério por boa parte do filme. O motivo pra contratação do Chacal surge a partir da colaboração entre departamentos internacionais das polícias russa e americana na perseguição à mafiosos AZERBAIJANOS. Um deles contrata o assassino para vingar a morte do irmão e, depois de consentir em pagar 70 MILHÕES DE DÓLARES, explicada para o bandido qual sua missão: matar o diretor do FBI em solo americano.

A partir daí, o filme mostra os preparativos da empreitada, com inúmeras sequências legais de tráfico de armas, compra de vans, preparativos e adaptações para que a tal van leve um avançado sistema de disparo e um canhão de abater helicópteros. Seria bacana se o filme não contemplasse a solução de que, para pegar o Chacal – cujo rosto não consta dos registros do FBI ou CIA – é preciso falar com o tal terrorista vivido por Richard Geere, cujo nome é Declan Mulqueen. O sotaque feito pelo ator americano beira o risível e o personagem é caricato. À princípio ele tenta chantagear o FBI, dizendo ter certeza de que conhece o Chacal, mas logo fica evidente que ele está usando a chance de ser posto em liberdade para proveito próprio. Enfim, um clichê sobre o outro e a gente fica com a impressão de que a comunidade internacional de espiões e terroristas é quase um clube que se reúne periodicamente.

Mesmo beirando a caricatura, “O Chacal” tem alguns méritos: apesar das críticas, Bruce Willis tem uma boa aparição no filme. A direção de Michael Caton-Jones é segura e eficiente e, sinceramente, a morte do personagem de Jack Black é uma das mais patéticas e terríveis da história recente do cinema. O mais interessante do filme, no entanto, é sua trilha sonora – cujas canções não são executadas ao longo do filme. Na época, “The Jackal” saiu como uma eficiente coletânea de faixas totalmente sintonizadas com o momento, com presenças de Tricky, Moby, Black Grape, Charlatans, Massive Attack, LTJ Bukem e até um remix de … Bush. Muito acima da média, podem conferir sem susto.

Estranho e rocambolesco, “O Chacal” é garantia de entretenimento, seja lá qual for a sua expectativa. Veja, mas não me culpe.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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