Haruki Murakami contra a pandemia

 

 

O escritor japonês Haruki Murakami tem fãs em todos os lugares por este planeta azul e branco. Sua paixão por música é parte integrante de seu estilo que mistura cultura pop e surrealismo, em obras sensacionais como “Norwegian Wood” e “Minha Querida Sputnik”, só pra ficar em duas das mais famosas. Agora Murakami se juntará aos vários artistas que, de dentro de casa, têm feito lives e eventos legais para manter as pessoas fiéis às medidas de isolamento social.

 

No próximo dia 22, ele estará apresentando um show de rádio chamado Stay Home Special. Murakami vai tocar e comentar algumas de suas mais queridas canções e … atender aos pedidos dos ouvintes. A iniciativa foi da governadora da província de Tóquio, Yuriko Koike.

 

Murakami disse: “Espero que o poder da música possa fazer algo para afastar esta tristeza relacionada ao Covid-19”.

O Japão está em quarentena até o fim de maio, podendo ampliar o prazo se os casos aumentarem. Atualmente o país está conseguindo achatar a curva e os infectados estão surgindo em menor número. Desde 2018, Murakami apresenta esporadicamente alguns shows de uma hora de duração na Tokyo FM. Ele tem mais de 10 mil álbuns em sua coleção, a maioria de jazz, pop clássico, rock e música clássica. É comum ver gente como Beach Boys, Joey Ramone Hall and Oates frequentando as seleções que ele põe no ar. Apesar disso, Murakami segue como uma pessoa reclusa e não dada a aparições.

 

“Coleciono discos desde a infância e, graças a isso, minha casa é cheia de música, mas, de uns tempos para cá, me senti culpado por desfrutar disso sozinho” – ele disse pouco antes de fazer sua primeira aparição no rádio, em 2018. “Acho que pode ser bom compartilhar esses momentos com outras pessoas em meio a um cálice de vinho ou uma xícara de café.”

Eu acho ótimo, o problema vai ser entender o que o nosso querido Murakami irá comentar sobre esta ou aquela canção.

 

Aqui está o link para a playlist gigantesca que ele mantém no Spotify.

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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