Green Day – Father Of All…

 

Gênero: Rock alternativo
Duração: 26 minutos
Faixas: 10
Produção: Butch Walker, Chris Dugan e Green Day
Gravadora: Reprise Records

usr [4.0]

 

Rapaz, eu vou confessar: estou de boca aberta com este novíssimo disco do Green Day. Confesso outra coisa: não dava bola pra banda desde que os dias do punk feliz dos anos 1990 ficaram pra trás. Sendo assim, a fase “consciente” da banda de “American Idiot” não me pegou e os recentes discos conceituais, bem como o retorno, de “Revolution Radio”, também me passaram batidos. Sendo assim, é impressionante ver o que os sujeitos conseguem neste 13º disco da carreira, uma pequena, invocada e exuberante gema glam-punk como há muito não se vê/ouve.

 

Se o tal “punk feliz” do início da carreira se foi – e não voltou – também partiu o tal “punk consciente” que deu fama e fortuna mundial ao Green Day, algo de que a banda ainda não se desapegara no disco anterior e que – também – se foi. A sonoridade que o Green Day propõe aqui está encharcada de Joan Jett, T.Rex e Clash, sem qualquer pudor ou tentativa de soar revisionista. Em termos do cânon da banda, abraçar tais referências soa como uma novíssima e refrescante proposta. Billie Joe Armstrong – que sempre foi um entertainer respeitável – está totalmente à vontade neste habitat musical, conferindo autenticidade ao todo.

 

É engraçado ver algumas pessoas da crítica chamando de “rock infantilizado” o que a banda traz neste álbum. Certamente é gente que não tem qualquer noção do significado do termo “rock” e que, pior ainda, não tem conexão com o que a banda já fez em sua carreira. A produção de Butch Walker é o grande diferencial por aqui, uma vez que acrescenta um veludo elegante para revestir os arranjos de palmas, levadas aerodinâmicas, vocais de apoio e tudo mais que se exige em gravações que evoquem diversão e leveza em suas formas primordiais em termos roqueiros. O disco está muito longe de ser “infantilizado”, pelo contrário, é um movimento de ironia por parte da banda, mudando seu método de ataque às instituições – algo que faz com certa leveza, mas com grande eficácia. Como disse alguém, é “como se o Green Day estivesse vendo tudo queimar à sua volta de dentro de uma sala com ar condicionado”. É bem por aí.

 

Destaques sonoros inestimáveis: a levada “shuffle” de “Meet Me On The Roof”, a citação sutil de “Fire” – de Jimi Hendrix – no riff da faixa-título, o amor velado ao Clash em “Graffitia”, a batida à la Runaways em “Oh, Yeah!” e o rockão beatle de “Stab You In The Heart”. Até nos momentos menos inspirados, caso de “I Was A Teenage Teenager”, o Green Day entrega uma ótima faixa que o Weezer já nos deve há tempos.

 

Uma surpresa que dura 26 minutos e vai grudar em você. Ouça.

Ouça primeiro: “Meet Me On The Roof”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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