Destaques Álbuns Internacionais – 2025
Demorou, mas saiu. Aqui estão nossos destaques gringos de 2025. Se você acompanha as nossas listas anuais, vai notar algumas mudanças. Por exemplo, a gente vai dar um tempo de tentar mapear freneticamente todas as tendências musicais vigentes no frenético mercado industrial-musical do nosso tempo e tentar focar no que realmente importa. Ou no que achamos que realmente importa. Estamos cansados, o ritmo é muito intenso e a gente tende a valorizar alguns traços artísticos, como a capacidade de sobreviver a este período de um ano. Ou seja, vai nos importar aquilo que pensamos ser mais ou menos atemporal, que tenha força para escapar do hype e continuar com valor. Não queremos mais perder muito tempo e esforço com algo que não dure. Este vai ser o nosso principal farol de orientação, o que não significa que deixaremos de olhar e ouvir as novidades, pelo contrário. Há muita música boa sendo feita e ela merece que você a ouça.
Uma olhada na nossa lista de destaques também vai apontar para a ausência de ordem de preferência entre os discos selecionados. No máximo a gente vai apontar um ou outro item que mereça a sua atenção especial, quando houver. No caso desta relação de álbuns do ano passado, dois discos merecem essa distinção. “Orbits”, do grupo neozelandês de jazz The Circling Sun e “Can’t Lose My (Soul)”, do coletivo gospel americano Annie And The Caldwells. O primeiro é uma verdadeira maravilha de spiritual jazz, com acenos tanto a gente como Pharoah Sanders como aos brasileiros do Azymuth, constituindo uma verdadeira maravilha sonora extemporânea. O segundo é um lançamento da prestigiada gravadora Luaka Bop, de David Byrne, e aponta novas-velhas direções para a música gospel negra, algo que, é preciso dizer, vai muito além da questão religiosa. Eu, por exemplo, estou bem longe de ser uma pessoa afeita a religiões, mas me emociono bastante com música espiritual. E este álbum é um passaporte sem limites para leituras precisas e afetivas do cotidiano dos pretos do sul dos Estados Unidos e tem uma precisão sonora impressionante. São, portanto, “destaques entre os destaques”. No resto da lista, uma prevalência de artistas com carreiras já solidificadas ou de grandes bandas que retornaram ao disco em grande forma, caso de Mayflies USA, Ivy, Pulp e Stereolab.
Esperamos que vocês gostem da lista. Comentem, discutam. Se acharem que vale, passem adiante. E tenham em mente: cada vez há menos sentido em fazer essas listas, justo porque tudo, de todos os tempos, está disponível ao alcance de um clique. E não importa mais a cronologia, mas o tempo em que você descobre determinada obra. Isso é o que realmente diz sobre “melhores” músicas de um ano. Aqui estão nossas escolhas.
The Circling Sun – Orbits
Annie And The Caldwells – Can’t Lose My (Soul)
Cass McCombs – Interior Live Oak
BC Camplight – A Sober Conversation
Mayflies USA – Kickless Kids
Sault – 10
The Delines – Mr.Luck & Ms.Doom
Gary Louris – Dark Country
Sam Fender – People Watching
Brian D’Addario – Till The Morning
Grant Lee Phillips – In The Hour Of Dust
Manic Street Preachers – Critical Thinking
Ivy – Traces Of You
Pulp – More
Ronnie D’Addario – Written By
Great Lake Swimmers – Caught Light
Stereolab – Instant Holograms Of Metal Film
The Autumn Defense – Here And Nowhere
Sloan – Based On The Best Seller
Midlake – A Bridge To Far
Hollie Cook – Shy Girl
Jonathan Richman – Only Frozen Sky Anyway
Mogwai – The Bad Fire
Loaded Honey – Love Made Trees
St Etienne – International

Carlos Eduardo Lima (CEL) é mestre em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.
