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Rankeando Barão Vermelho

 

 

O Barão voltou! Quer dizer, não é bem assim. O Barão nunca foi, na verdade, as pessoas é que foram embora do Barão e agora voltaram. Roberto Frejat, Guto Goffi (o único que nunca saiu da banda), Mauricio Barros e Dé Palmeira, os quatro integrantes que, junto com Cazuza, fundaram o grupo no distante ano de 1981, estão de volta aos palcos. A turnê “Barão Vermelho Encontro” iniciou-se ontem, dia 30 de abril, na Farmasi Arena, no Rio, e vai passar por várias cidades do país, na mesma onda da vitoriosa tour dos Titãs (a produtora é a mesma 30e) e do Kid Abelha, que também volta neste ano para o mesmo objetivo. Claro, a ideia desses shows é atiçar a nostalgia do público, meio velhusco e perdido em meio a streamings, novíssimos artistas e à própria mudança que a música pop tem vivenciado de forma cada vez mais rápida.

 

Aliás, o próprio Barão Vermelho sabe o sentido disso, fato trouxe o guitarrista e vocalista Rodrigo Suricato para a banda em 2019, quando lançaram o surpreendente álbum “VIVA”, mostrando uma impressionante capacidade de reinvenção. Mas, nada disso está presente por aqui. Ainda que Suricato ainda faça parte da banda, o Barão que sobe aos palcos em 2026 é o mesmo de décadas atrás. E por isso a gente resolveu revisitar a trajetória fonográfica do grupo carioca, incluindo tudo o que produziu e lançou, exceto por coletâneas mequetrefes de gravadora.

 

Sendo assim, aqui vai nosso ranking. Discorde, concorde, comente. Ou não.

 

19 – “Puro Êxtase” (1998) – começamos pelo horror total que é esse disco. Um equívoco que não foi salvo nem pelo sucesso da faixa-título e da imperdoável “Por Você”, que tornou-se praga naquele fim de milênio. Timbres eletrônicos horríveis, inadequação estética, clipes vergonhosos na MTV e uma cover equivocada de “Cena de Cinema”, do Lobão. “Puro Êxtase” é o “Hot Space” do Barão e ponto final.

 

 

 

18 – “Ao Vivo – Remix” (1997) – esse compêndio de covers, versões ao vivo e remixes inacreditáveis é tão ruim quanto “Puro Êxtase”, aliás, serviu como aperitivo da “guinada eletrônica” do Barão na época. Aqui só dá pra salvar uma versão de “Quando” do repertório de Roberto Carlos. E só.

 

 

 

17 – “MTV Ao Vivo” (2005) – O Barão lançara um álbum de inéditas no ano anterior e entrou na onda dos discos ao vivo compiladores de carreira, produzidos com o incentivo da MTV, o que assegurava o lançamento em DVD. É uma amostra do Barão ao vivo, sem muito a acrescentar. Fica na rabeira da lista porque a fase dos caras não era das melhores. Frejat lançara um disco ao vivo – “Amor Pra Recomeçar” – em 2001 e parecia focado em sua carreira solo. Enfim….

 

 

 

16 – “Barão Vermelho Ao Vivo” (1992) – este é o registro da apresentação do Barão Vermelho no Rock In Rio. Certamente é um show histórico para banda e fãs, mas a qualidade sonora é paupérrima, colocando em xeque a empreitada. Curiosamente, no mesmo 1992, o Barão integrou o elenco do Hollywood Rock, com ótimas apresentações. Neste caso, a fase era ótima.

 

 

 

15 – “Balada MTV” (1999) – ainda que o nome não seja “Acústico MTV”, este disco representou quase a mesma coisa pra a banda e para os fãs. Algumas versões legais aparecem ao longo do álbum, especialmente as de “Eu Queria Ter Uma Bomba” e “Bilhetinho Azul”, canções da primeira encarnação da banda. Além delas, uma inédita adorável, “Enquanto Ela Não Chegar” e uma interpretação bacana de “O Tempo Não Para”, do repertório seminal do Cazuza solo.

 

 

 

14 – “Barão Vermelho” (2004) – o último disco de inéditas do Barão com Frejat é não mais que mediano. Tem canções interessantes, como “A Chave da Porta da Frente”, parceria com Leoni, e “Cuidado”, com um bom riff, mas, via de regra, o repertório fica aquém do melhor da carreira do Barão. A produção também não ajuda.

 

 

 

13 – “Álbum” (1996) – o disco de covers do Barão. Era um expediente muito usado fazer compilações de versões naquele tempo e a banda carioca mergulhou fundo nisso. Como sempre foram bons músicos, vieram com boas leituras de “Só Pra Variar” (Raul Seixas), “Malandragem Dá Um Tempo” (Bezerra da Silva), “Amor Meu Grande Amor” (Angela Ro Ro) e “Jardins da Babilônia” (Rita Lee).

 

 

 

12 – “Barão 40” (2023) – a banda completou quatro décadas com uma boa compilação de releituras e gravações ao vivo (na versão “Deluxe” do album). A interpretação de Suricato é ótima e sua versatilidade como músico abre novíssimas possibilidades para canções que pareciam esgotadas. De quebra uma linda homenagem aos ex-vocalistas do Barão: para Cazuza, com “Solidão Que Nada”, do álbum “Só Se For A Dois”, de 1986 e para Frejat, com “Amor Pra Recomeçar”, faixa-título de seu disco de 2001.

 

 

 

 

11 – “Barão Ao Vivo” (1989) – mais um disco ao vivo do Barão, dessa vez gravado em 1989, capturando a melhor fase da banda. Repertório enxuto, guitarras pesadas – de Frejat e Fernando Magalhães, músico que entrou na banda em 1985 e está até hoje nela) e boas versões de clássicos como “Pense e Dance”. Melhor disco ao vivo da banda, disparado.

 

 

 

10 – “Carne Crua” (1994) – este é o último disco realmente bacana do Barão Vermelho com Frejat na banda. Com dois bons hits – “Daqui Por Diante” e “Meus Bons Amigos”, além de uma ótima cover de “Pergunte Ao Tio José”, de Raul Seixas, “Carne Crua” incorporava um bem-vindo naipe de metais ao som da banda e até chegou a ganhar resenha no mítico “El Orongo”, jornal que circulava na FCS-Uerj em 1994.

 

 

 

09 – “Viva” (2019) – o único disco de inéditas que a banda lançou com Suricato nas guitarras e vocais é surpreendente e aponta várias direções para a banda. Há colaborações com o rapper BK (“Eu Nunca Estou Só” e a cantora Letrux na ótima “Pra Não Te Perder”, mostrando uma banda moderna e com disposição para a reinvenção sem perder elementos básicos. Tomara que sigam gravando. Destaque para a belíssima “Por Onde Eu For”.

 

 

 

08 – “Declare Guerra” (1986) – o primeiro disco do Barão sem Cazuza padece de problemas sérios de produção e confusão no repertório, visto que o ex-vocalista deixou a banda sem aviso e levou consigo várias canções já parcialmente escritas. Frejat e os remanescentes vieram no peito e na raça e lançaram um álbum pra lá de respeitável. A faixa-título e “Torre de Babel” seguraram a onda e deram fôlego para a banda se reunir e tramar o que faria em seguida. E essa seria sua melhor fase.

 

 

 

07 – “Barão Vermelho 2” (1983) – o segundo disco do Barão é muito bacana e mostra como a banda evoluíra em apenas um ano de existência. A poesia de Cazuza estava mais focada e dava origens a clássicos como “Menina Mimada”, “Carne de Pescoço”, “Carente Profissional”, “Blues do Iniciante” e o hit atemporal “Pro Dia Nascer Feliz”. O problema aqui é técnico – o disco precisa de remasterização e remixagem urgente. Mas seu repertório é ouro.

 

 

 

06 – “Supermercados da Vida” (1992) – a sonoridade mais pesada que o Barão abraçou a partir de 1987/88 é a sua melhor versão. Aqui tudo estava nos trinques, num bom disco de rock, com boas composições e sonoridade à toda prova. “Fúria e Folia” e “Pedra, Flor e Espinho” são ótimos exemplos disso. E ainda havia belas baladas, como “Flores do Mal”, acústica e delicada. Belo disco.

 

 

 

05 – “Na Calada da Noite” (1990) – talvez o disco mais bem sucedido comercialmente do Barão, também é um representante desse momento mais pesado e encorpado da banda. De cara o hit “Política Voz” já coloca o ouvinte no espírito do que virá. E temos porradas certeiras como “Beijos de Arame Farpado”, “Invejo os Bichos”, “Tão Longe de Tudo” (a melhor do álbum, disparado) e o hit “O Poeta Está Vivo”, parceria com Dulce Quental em homenagem a Cazuza, que acabara de falecer.

 

 

 

04 – “Rock’n’Geral” (1987) – a diferença do Barão de “Declare Guerra” para o de “Rock’n’Geral” é impressionante. Com uma produção mais atenta, um repertório que apontava para uma diversificação muito bem-vinda, com funk à moda antiga, na ótima “Copacabana”, o Barão era promissor. Aqui estão duas de suas melhores gravações em toda a carreira: o rock básico de “Dignidade” e o blues inacritável de “Quem Me Olha Só”, parceria com Arnaldo Antunes.

 

 

 

03 – “Barão Vermelho” (1982) – este é quase um fóssil daquele Rio de Janeiro do início de anos 1980. Tudo aqui é próximo da perfeição. Cazuza iniciando sua trajetória, canções sensacionais como “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, “Bilhetinho Azul”, “Down em Mim”, “Billy Negão” e a ótima “Ponto Fraco”. Nem a produção semi-amadora consegue destruir.

 

 

 

02 – “Maior Abandonado” (1984) – o melhor registro do Barão da primeira encarnação, com Cazuza no auge da malandragem boêmia do Baixo Leblon. A faixa-título é um dos grandes hits roqueiros dos anos 1980 e ainda há muito mais no repertório: “Baby Suporte”, “Sem Vergonha”, “Por Que A Gente É Assim” e a multidisciplinar “Bete Balanço”.

 

 

 

01 – “Carnaval” (1988) – a medalha de ouro da carreira baronesca fica com este colosso de guitarras do fim dos anos 1980. “Carnaval” é pesado, mal encarado, sujo e genial, sem abrir mão de oferecer composições maravilhosas, caso da suprema “Pense e Dance”, que foi o tema da Maria de Fátima na “Vale Tudo” original. E ainda tem “Não Me Acabo”, “Nunca Existiu Pecado” e o sensacional “Rock da Descerebração”.

 

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é mestre em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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