13 Músicas do Fleetwood Mac (mais três bônus)

 

 

 

Há poucos meses um meme viralizou com um sujeito andando de skate ouvindo “Dreams”, canção de 1977 do Fleetwood Mac. Este tipo de evento, num tempo como o nosso, serve para que uma multidão de pessoas entre em contato pela primeira vez com uma canção que é um dos clássicos do pop rock de todos os tempos. Sendo assim, de um minuto pro outro, vários jovens, acostumados à produção musical atual, tiveram a chance de ouvir a maravilha que é a cozinha do Mac, formada por John McVie (baixo) e Mick Fleetwood (bateria), além do talento impressionante de Christine McVie (teclados), Stevie Nicks (vocais) e Lindsey Buckingham (guitarras e vocais) pela primeira vez. E se amarraram.

 

Sendo assim – e também pra fazer justiça à banda – vamos com a nossa já tradicional lista de treze canções. Antes porém, é bom lembrar: existem dois Fleetwood Macs: o primeiro, inglês, formado no fim dos anos 1960, liderado pelo vocalista e guitarrista Peter Green (falecido ano passado), praticava sonoridade calcada no blues rock. O segundo – e meu preferido – é anglo-americano, no qual o casal McVie e Fleetwood se juntam ao casal Nicks-Buckingham em 1975 e, a partir daí, reinventam a banda, praticando uma sonoridade fluida e voltada para uma mistura irresistível de pop, rock clássico e folk. Com esta formação, a banda atingiu os píncaros do sucesso em 1977, quando lançou seu álbum “Rumours”, não por acaso, o disco que contém “Dreams”.

 

 

Se você gosta de gente como as HAIM ou achou o último álbum da Grimes, “Mrs Anthropocene”, sensacional e revolucionário, precisa conhecer – e amar – Fleetwood Mac.

 

Vamos à nossa listinha.

 

 

– Rihannon (1975) – do álbum homônimo da banda, de 1975, primeiro lançamento com a formação contendo Stevie e Lindsey. Já se nota a mudança absoluta na sonoridade e a temática esotérica-hippie que algumas letras ganhariam. No caso, o título é inspirado na história de uma bruxa galesa. Em shows da época, até 1980, Stevie surgia nos palcos vestida como se fosse a própria Rihannon.

 

 

– Go Your Own Way (1977) – canção ultrapop de “Rumours”, um dos vários sucessos do álbum, de autoria de Lindsey. É mais uma dessas letras em que uma pessoa diz para a outra “fazer como quiser”, porque já não está mais se importando. Clássico da deterioração dos casais da banda na época.

 

 

– Family Man (1987) – gravada no subestimado “Tango In The Night”, que foi um disco de retorno do Mac após cinco anos mas que teve sua divulgação atrapalha pela saída de Lindsey logo após o lançamento. É um desses clássicos pop que ele costuma escrever, cheio de participação vocal das mulheres da banda e arranjo feito para as paradas de sucesso. Como traço marcante, floreios aflamencados de Buckingham num violão. Belezura.

 

 

 

– Silver Springs (1977) – uma lindíssima faixa escondida em “Rumours”, espécie de patinho feio, uma vez que sempre vem atrás dos clássicos que a banda escreveu no período. Letra linda, melodia celestial, tudo numa daquelas músicas feitas pra gente chorar no cantinho.

 

 

 

– Hypnotized (1973) – canção presente no obscuro disco “Mystery To Me”, de 1973, trazendo os vocais – e composição – de Bob Welch. Bom cantor e guitarrista. Na época, outro Bob – Weston – era o guitarrista da banda e seu solo na gravação é bem bacana. Uma faixa meio esquecida, mas muito bacana.

 

 

– Seven Wonders (1987) – uma das boas canções de “Tango In The Night”, tem como característica principal a linha de baixo e bateria que é idêntica à de “Dreams”. O efeito é muito legal, uma vez que a melodia é totalmente distinta da “musa inspiradora”. Fez bastante sucesso na época.

 

 

– Sara (1979) – faixa do audacioso “Tusk”, “Sara” foi composta por Stevie Nicks sobre uma amiga que teve um relacionamento com Mick Fleetwood. Don Henley, baterista e vocalista dos Eagles, namorado de Stevie na época, diz, no entanto, que a música é sobre o aborto sofrido por ela.

 

 

– You Making Loving Fun (1977) – outro clássico de “Rumours”, dessa vez com autoria e vocais de Christine McVie. A letra é sobre o caso que ela teve com o iluminador de palco da banda, Curry Grant, mostrando como o clima estava estranho na época. Quem toca o baixo da canção é seu marido, John. Sim.

 

 

 

– Everywhere (1987)- mais uma faixa de “Tango In The Night”, no caso o single que puxou a divulgação do álbum. Seu arranjo e melodia mostram como o Fleetwood Mac poderia ser uma força criativa nas paradas da época, não fosse a saída de Lindsey. Vocais característicos de Christine. Arranjo perfeito.

 

 

– Gypsy (1982) – faixa do subestimadíssimo álbum “Mirage”, que marcou a volta do Mac ao estúdio após a turnê que divulgou “Tusk”, em 1980. Ela foi composta por Stevie Nicks e entraria em seu álbum “Bella Donna”, mas a morte de um amigo deu um novo significado à canção e ela acabou indo parar em “Mirage”.

 

 

– Landslide (1975) – uma das melodias mais belas já compostas por Nicks/Buckingham, um verdadeiro clássico do pop-folk de todos os tempos. Já ganhou versões de vários artistas, de Smashing Pumpkins, a Dixie Chicks. Linda de morrer.

 

 

– Dreams (1977) – não dá pra fugir do óbvio: “Dreams” é uma obra prima de fluidez e beleza. Tudo está absolutamente em seu lugar nesta gravação, com destaque para a lindeza da linha de baixo/bateria, que vai serpenteando e se espalhando. Dá gosto de ouvir a versão instrumental para pescar os detalhes. Outra canção que teve várias versões, sendo que a gravada pelo grupo irlandês The Corrs contou com participação do próprio Mick Fleetwood.

 

 

 

– Sentimental Lady (1972) – outra faixa cantada por Bob Welch, do esquecido álbum “Bare Trees”. Ele também registrou uma versão solo desta canção, mas o original é mais forte e interessante. Sucesso nos programas de flash back cariocas da virada dos anos 1970/80.

 

Bônus

 

 

– Lindsey Buckingham – Trouble (1981) – clássica canção das FMs ao redor do mundo no início dos anos 1980, marcando o período em que a banda esteve dedicada a projetos paralelos. “Trouble” até se tornou uma das canções dos anúncios televisivos dos cigarros Hollywood, de grande sucesso na época, em que fumantes apareciam fazendo esportes radicais, mas ninguém nem se importava. Um clássico pop atemporal.

 

 

– Stevie Nicks – Edge Of Seventeen (1981) – faixa do álbum “Bella Donna”, que Stevie lançou também em 1981, mostrando seu pop-rock esotérico e eficiente. Com os vocais em forma, ótimo trabalho de guitarras, esta canção é clássica e teve uma interessante aparição no ótimo filme “Escola de Rock”, numa cena em que o professor picareta, vivido por Jack Black tenta convencer a diretora durona, interpretada por Joan Cusack. Sensacional.

 

 

– Mick Fleetwood – You Weren’t In Love (1981) – sim, outro projeto paralelo de 1981, desta vez com Mick arregimentando um pessoal no estúdio. Esta faixa fez sucesso no Brasil, chegando a fazer parte da trilha sonora internacional da novela “Brilhante”.

+1

CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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