The Bird And The Bee – Interpreting The Masters, Volume 2 – The Songs of Van Halen

 

Gênero: Pop alternativo
Faixas: 10
Duração: 36 min
Produção: Greg Kurstin
Gravadora: No Expectations

4 out of 5 stars (4 / 5)

 

Uma das magias da música pop é, sem dúvida, a versão bem feita. Um artista se apropriar de composição alheia, refazê-la e oferecer nuances e detalhes até então ocultos…Ou revelar novas abordagens nunca pensadas em determinada música… Há várias possibilidades que permeiam um trabalho de versões e, quando damos a sorte de topar com algo extremamente competente, o resultado é equivalente à apreciação dos originais. Este é o caso deste ótimo “Interpreting The Classics vol.2 – The Songs Of Van Halen”, oferecido pela dupla americana The Bird And The Bee.

 

Para quem não sabe: eles são a cantora Inara George e o multinstrumentista e produtor Greg Kurstin, que assinou trabalhos recentes de Paul McCartney a Foo Fighters, passando por Adele.

Para quem não sabe 2: a dupla já se aventurou antes neste terreno, apesar de ter discos autorais em seu catálogo. Os artistas homenageados há dez anos foram Hall & Oates, com resultados bem legais. O importante nesta nova empreitada é converter o rockão de estádio dos irmãos Van Halen e de Dave Lee Roth em pop perfeito para 2019. É uma tarefa mais complexa e desafiadora, mas que soa simples aos ouvidos e percepções de fãs da banda, caso de Kurstin e George.

 

Temos dez composições da primeira fase do Van Halen, além de uma cover imortalizada pelos irmãos, “You Really Got Me”, originalmente gravada pelos Kinks. E temos uma canção autoral, “Diamond Dave”, que homenageia literalmente o primeiro – e clássico – vocalista do Van Halen, que já havia sido gravada pela dupla em 2008, no álbum “Ray Guns Are Not Just The Future”, com outro arranjo. Tudo isso credencia The Bird And The Bee a entrar no seleto grupo dos hábeis fazedores de covers. Partindo de canções clássicas e outras nem tanto, eles subvertem e refazem velhas conhecidas do público oitentista e as trazem intactas para os tempos atuais, para uma outra audiência.

 

Faixas como “Panama”, “Jump” e “Hot For Teacher”, todas conhecidíssimas, ressurgem com arranjos novos e crocantes. A última tem participação de Beck e mostra a sintonia da dupla com a modernidade, sem abrir mão da qualidade, algo que nem sempre acontece. Outras duas velhas conhecidas do repertório do Van ganham fôlego extra: “Ain’t Talking Bout Love”, provavelmente sua melhor composição, é agora uma faixa eletropop tinindo e trincando,enquanto “Running With The Devil” ostenta pianos, baterias e ritmo cadenciado bem distante de seu passado hard. Inara canta num misto de doçura e firmeza, bonito e bem distante da bravata pós-adolescente original que caracteriza a canção. O melhor resultado vem em uma canção meio obscura: “Jamie’s Crying”, que foi gravada no disco de estreia do quarteto americano, lançado em 1978. O boogie elétrico e safado de antanho ganha uma roupagem pop cristalina, cheia de balanço, com baixos e teclados em afinação total, ainda que conserve muito do andamento original.

 

Criativo, bem humorado, cheio de demonstrações inequívocas de talento. Fazer cover não é pra qualquer um e este álbum demonstra o postulado com graça e inteligência. Ouça ontem.

 

Ouça primeiro: Jamie’s Cryin’

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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