Stray Cats – 40

Gênero: Rock
Duração: 35 min
Faixas: 12
Produção: Peter Collins
Gravadora: Surfdog

4 out of 5 stars (4 / 5)

 

Poucas bandas são tão legais na história do rock como o Stray Cats. Fanfarrões, divertidos e excelentes músicos, Brian Setzer, Lee Rocker e Slim Jim Phantom são hoje três gatos cascudos e tarimbados. Quando surgiram, no fim dos anos 1970, como um grupo de moleques que mesclava a energia punk com o rockabilly, eram novidade e tinham pinta que não durariam mais que alguns anos. Hoje, quase quatro décadas depois do surgimento e 27 anos após o último disco lançado, o trio original está de volta, apenas pela diversão, lançando este ótimo “40”.

 

Ninguém vai ouvir um álbum do Stray Cats em busca de novidade, certo? O que se deseja encontrar aqui é um bando de rocks incandescentes, acima de qualquer suspeita, pensados e gravados com a intenção de provocar diversão e sorrisos. O que muda em relação aos primeiros anos da banda é que o trio hoje é capaz de soar muito mais apropriado em meio ao universo à parte que é o rockabilly. Setzer se tornou um dos maiores guitarristas em atividade no mundo – daqueles que as pessoas nem suspeitam – e se deu muito bem à frente da ótima Brian Setzer Orchestra, uma espécie de versão big band do Stray Cats, que gravou ótimos discos e forjou sua habilidade também como arranjador e band leader. Essa maturidade/experiência, não só dele, mas dois outros dois Stray Cats, faz toda a diferença em “40”. A sonoridade presente aqui, apesar de divertida na mão de moleques – como quando eles surgiram – é mais apropriada a um trio de sujeitos cascudos e castigados pelo tempo. Soam como três pistoleiros do Velho Oeste, dominando, cada um à sua maneira, uma arte diferente do ofício.

 

As canções presentes aqui servem para confirmar esta impressão. A produção as coloca mais pesadas e diversas, com o cuidado não só de reproduzirem os números mais dançantes e animadinhos – ainda que eles existam em momentos como “Cat Fight (Over A Dog Like Me)”, por exemplo – e confirmando que grande barato por aqui é dar de cara com canções que têm uma identidade própria, que não soa como uma mera reprodução de arranjo cinquentista. Exemplos disso surgem em vários momentos. “Cry Danger” tem uma levada cadenciada e um refrão contagiante; “I Attract Trouble”, também mais lenta e ritmada, tem nas guitarras base a sua razão de existir, num arranjo que constroi um clima de expectativa, coisa muito bem feita e rara numa canção pop. “Desperado”, que não é a canção dos Eagles, mas um instrumental desolado sob a lua do deserto, é outro momento de destaque fora do óbvio num disco do Stray Cats.

 

Mas, como eu disse, você não está ouvindo este álbum em busca de novidades. Seu negócio por aqui é se esbaldar ao som de bólidos com alto poder de octanagem rock como “Mean Pickin’ Mama”, “I’ll Be Looking Out For You”, “Three Times A Charm” e malandragens cheias de ginga como “That’s Messed Up”.

Se você ouvir este álbum sem sorrir ou balançar seus pés no ritmo das canções, seu problema é muito mais grave do que parece.

 

Ouça primeiro: “Cry Danger”.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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