Simply Red – Blue Eyed Soul

 

Gênero: Pop, funk
Duração: 33 minutos
Faixas: 10
Produção: Andy Wright
Gravadora: BMG

3 out of 5 stars (3 / 5)

 

O Simply Red continua vivo por aí. Na verdade, desde o início dos anos 1990, o nome da banda passou a significar um alter ego de seu vocalista e – para usar um termo atual – mastermind: Mick Hucknall. Quem olha rapidamente para o trabalho dele não pode imaginar que o ruivo Hucknall é contemporâneo de toda aquela cena pós-punk de Manchester, cidade em que ele nasceu e cresceu. Ao contrário do pessoal que formou New Order e cia, Mick se encantou desde cedo com a soul musica americana e, desde 1986, está na luta, lançando discos – cada vez menos interessantes à medida que o tempo passa. Este “Blue Eyed Soul” deve ser o mais legal que ele concebe desde “Home”, lançado em … 2003. E por que este “Blue Eyed Soul” seria melhor?

 

Simples. Mick, justiça seja feita, conseguiu desenvolver um padrão ao longo do tempo em que mistura essas influências soul/funk com composições boas e cheias de acento pop. Agora, sob a batuta do veterano colaborador Andy Wright, ele se permite algumas incursões num terreno mais clássico/dançante do estilo, sem soar caricato … demais. Porque todo mundo sabe – ou deveria saber – que soul/funk music tem procedência e origem imaculadas, mas o esforço e a técnica vocal do sujeito até enganam o ouvinte ocasional, além, claro, do seu público, que deve achá-lo o mais original dos vocalistas.

 

São dez canções simpáticas e com arranjos competentes. Há cordas aqui, metais acolá, backing vocals por toda parte e algumas baladas competentes, como “Complete Love” ou “Take A Good Look”, com sentimento e emoção na medida para o público do Simply Red. Também há canções como “Thinking Of You”, que emulam algum padrão plástico de soul/pop dos anos 1980, mas com competência e sem resvalar para a caricatura. A surpresa absoluta chega na quinta faixa, “Ring That Bell”, com uma levada que se inspira no que James Brown costumava fazer no início dos anos 1970. Descontado o universo quântico e astrofísico que há entre o Godfather of the Soul e Huckanall, o resultado é competente e divertido.

 

“Badbootz” é outro exemplo de funk com guitarras em chacundum que o Simply Red oferece para a galera ouvir. Tem um clima meio blaxploitation, algo meio malandrão dos anos 1970, com vocais de apoio, rimando “my bad, bad booty, my rooty tooty” e outras coisas no gênero. “Don’t Do Down” é outra faixa que tenta emular alguma levada clássica de James Brown, algo que, novamente, fica a uma galáxia de Andrômeda de distância, mas, repito, tem certa boa intenção. “Chula” é outra faixa que emula certo clima, digamos, sexy, com arranjo de flautas e levadinha de guitarras. O fecho é com uma balada moteleira clássica, como há um bom tempo não se ouve: “Tonight”.

 

Simply Red é uma banda/pessoa que tem bom gosto e boas intenções, porém, precisa de uma plateia que se contente com soul/funk diluído na mesma proporção que um pacote de Tang numa piscina olímpica. Fora isso, “Blue Eyed Soul”, caso fosse lançado em CD físico, seria um ótimo presente genérico para o amigo oculto de fim de ano.

 

Ouça primeiro: “Ring That Bell”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

One thought on “Simply Red – Blue Eyed Soul

  • 16 de novembro de 2019 em 23:15
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    Achei que fosse o Cauby Peixoto, pela foto!

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