O Paul McCartney engajado

 

 

Em homenagem ao 78º aniversário de Sir Paul McCartney, provavelmente o maior compositor popular do século 20, vamos contar um episódio raro de envolvimento político direto dele com questões anti-Inglaterra. Sabemos que Paul é vegetariano convicto, que já participou de concertos e atos beneficentes de todos os tipos e em favor de várias causas, mas em 1972 ele falou mais alto.

 

Em 30 de janeiro de 1972, ocorreu o episódio do Domingo Sangrento, no qual tropas inglesas atiraram contra manifestantes irlandeses desarmados, na cidade de Derry, na Irlanda do Norte. O país faz parte do Reino Unido e questões religiosas e políticas sempre mantiveram os ânimos acirrados e maiorias protestantes (simpatizantes da Inglaterra) acabaram por dominar e governar uma significativa parcela católica da população (simpatizantes da República da Irlanda), favorável à independência da região. O episódio ganhou triste notoriedade mundial e história, transformando-se numa prova da intolerância inglesa no conflito. Em Derry, naquela manhã de domingo, 14 manifestantes católicos foram mortos, entre eles, 6 menores de idade, e 26 outros se feriram.

 

Paul escreveu então uma canção em protesto contra o acontecido: “Give The Ireland Back To The Irish”, condenando abertamente a presença britânica na Irlanda do Norte e apoiando sua independência em relação ao Reino Unido. Foi lançada como single em fevereiro de 1972 e imediatamente banida das rádios e lojas da Inglaterra. Vários DJ’s da BBC se recuaram a tocá-la e, ao contrário do que acontecia na época, quando Paul integrava o grupo Wings, “Give The Ireland…” saiu creditada apenas a ele, com a parceria de sua esposa Linda McCartney. Em compensação, a canção chegou ao primeiro lugar na parada da Irlanda e tornou-se um hino não-oficial dos ativistas do País Basco, que integraram por muitos anos o ETA, grupo terrorista que defendia a independência da região em relação à Espanha.

 

O legado de Paul McCartney é tão importante para a música e para a cultura do século 20 e para o nosso próprio tempo, que é impossível destacar alguma canção em especial para celebrar seu aniversário. Escolhemos então aquela que, mesmo não sendo do grupo das mais conhecidas, certamente é que mostra seu maior engajamento politico até hoje.

 

 

E aqui vai outro texto sobre Macca no dia de seu 78º aniversário, de quando ele veio aqui ano passado e nós fizemos um setlist especial – e improvável.

Célula Paul

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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