MV Bill lança clipe e single: “Tim Maia”

 

“Embalou o namoro dos meus pais. Mostrou para o país como se faz”.

“Foi barrado em vários lugares porque fazia valer sua opinião”.

“Vale tudo. Em tempos de reaça só não vai ficar mudo”.

 

Este é MV Bill a bordo de seu novo single, “Tim Maia”. E ele vem com um clipe para divulgar a canção, na qual enumera as relações do cantor tijucano com sua vida, desde o namoro dos pais, embalado por “Cristina”, canção do homem, que levava o nome de sua mãe.

 

“Eu sou um grande admirador do Tim Maia, fez parte da minha educação musical, por conta de meu pai colocando pra minha mãe ouvir. O nome da minha mãe é Cristina, e a música “Cristina” do Tim Maia, meu pai colocava de vez em quando pra minha mãe como homenagem. Essa era só uma das formas do Tim Maia estar presente na minha vida musicalmente. Meu pai contava também, que na época que eles moravam no Macedo Sobrinho, (que é uma das Favelas que originou a Cidade de Deus), o Tim Maia às vezes chegava de madrugada, começa a trocar idéia, a beber, e saia pelos becos dessa favela, confraternizando com a rapaziada, mostrando que ele é um cara do povão.”

 

A canção tem colaboração do DJ Tom Enzy, de Portugal, que Bill conheceu via Internet. Ao contrário do esperado, o arranjo de “Tim Maia”, a canção, está muito mais no terreno do trap, não fazendo o óbvio, que seria surgir com uma roupagem de samba rock ou algo no gênero.

 

“Mesmo a música não tendo sample de Tim Maia, eu fiz questão de mostrar e avisar pro Carmelo Maia, que é o filho do Tim, um cara que eu conheço há muito tempo, fazia um tempo que eu não encontrava pessoalmente, mas já se conhecia fazia muitos anos, e ele ficou maravilhado com o som. Ele fez essa observação que era uma homenagem que ele colocava muita fé pois é uma música toda escrita do zero, totalmente falando do pai dele.”

 

Para acompanhar o lançamento da canção, MV Bill lança um clipe, no qual conta com a direção de Fabrício Figueiredo. Se a canção é moderníssima, as imagens do clipe têm referências aos anos 1970, com a participação de Babu Santana, ator responsável pela interpretação de Tim no cinema.

 

“Gravamos na praia de Grumari, na praia do Pontal, gravamos na Praça Tim Maia e coincidentemente, a dona do estúdio onde gravamos o chroma key, descobrimos durante a gravação, que ela havia sido assessora do Tim, inclusive ela tá no livro que o Nelson Motta escreveu sobre ele. Investimos num visual anos setenta, tem uma figuração com bailarinos, simbolizando os programa de TV daquela época, que também tinha um tipo de iluminação psicodélica que virou clássico dessa década.”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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