Krig-Ha, Bandolo, 47

 

 

Há exatos 47 anos era lançado “Krig-Ha, Bandolo”, o primeiro álbum solo de Raul Seixas. Talvez Raul seja, ao lado de Erasmo Carlos, o artista mais identificado com a ideia clássica de Rock’n’Roll, ou seja, aquele sujeito com doses iguais de amor, crítica, inquietação e postura transgressora.

 

As origens de ambos é bem parecida, com o admirável fato de que, enquanto Erasmo vivia sua adolescência na capital do país nos anos 1950, Raul passava pela mesma etapa numa improvável Salvador, cidade completamente desvinculada de qualquer traço remotamente comum em relação ao Rock. Mesmo assim, o menino cresceu fã de Rock clássico e tornou-se dono de uma obra ímpar na história da música popular brasileira.

 

Raul criou um Rock inegavelmente brasileiro, cheio de referências ao choque social entre pobres e ricos, além de refletir sempre sobre o impossível dilema de viver num país sob ditadura civil-militar. Raul criou um universo roqueiro que bebia de fontes como John Lennon, Bob Dylan, Elvis Presley mas tudo temperado por Luiz Gonzaga e outros ícones inegavelmente brasileiros e únicos. O resultado começou a ser visto/ouvido com esta admirável estreia de “Krig-Ha, Bandolo”. Que disco de um artista iniciante tem canções seríssimas como “Metamorfose Ambulante”, “Al Capone”, “Ouro de Tolo”, “Dentadura Postiça”, “Mosca Na Sopa” e a admirável “As Minas do Rei Salomão” enfileiradas?

 

São reflexões sobre a maturidade, a visão da cidade, do amor e todas as aflições que um homem jovem e consciente pode ter naquele ano de 1973, num país como o nosso. Um dos melhores discos de Rock já feitos no Brasil.

 

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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