Dido – Still On My Mind

Gênero: Pop Alternativo, Eletrônico
Duração: 45 min.
Faixas: 12
Produção: Dee Adam, Dido, Si Hulbert, Ryan Louder, Rollo
Gravadora: BMG

3 out of 5 stars (3 / 5)

Dido Florian Cloud de Bounevialle O’Malley Armstrong está de volta ao disco após um hiato de seis anos. O último lançamento dela, “The Girl Who Got Away”, de 2013, já saíra após outro hiato, de cinco anos. A moça tem uma carreira elegantemente curta – cinco discos em 19 anos, mostrando que não tem pressa para compor ou lançar material novo, o que nos faz crer que, quando tal fato ocorre, Dido tem algo a dizer. Este “Still On My Mind” reprisa seu estilo polido de fazer pop: voz marcante e diáfana, produção esperta que mistura climas lentos com batidas eletrônicas inteligentes, cortesia de seu irmão Rollo Armstrong, que sempre participa de seus trabalhos. Além disso, verdade seja dita, Dido tem boa mão para compor melodias agradáveis aos ouvidos de uma audiência exigente até certo ponto.

“Still On My Mind” repete exatamente esta fórmula consagrada quando arrebentou as paradas de sucesso com a – então – onipresente “Thank You”, em 1999. Tem este veludo climático dos teclados e ambiências e as batidas que Rollo vai colocando aqui e ali, como se fosse um Everything But The Girl com menos estilo e mais objetividade pop. Claro que há algumas novidades aqui e ali, mas Dido não é conhecida por apresentar grandes mudanças de um disco para o outro.

Há uma, digamos, latinidade torta em “Hell After This”, que tem programação de beats semi-amadora, teclados fanfarrões, porém econômicos, e um fiapo de melodia que conduz a canção inteligentemente ao refrão, hum, dançante. Tem “Take You Home”, uma canção mais funky para servir como trilha sonora daquela balada do pessoal que já adentrou os quartenta e tantos anos. Também tem “Friends”, uma belezinha pop para sacudir – com calma – o esqueleto em alguma festinha com os amigos por aí. Na maioria do tempo, Dido entrega aquelas canções tipicas que a consagraram: “Hurricanes” é o melhor exemplo, lenta, porém com sangue nas veias, gelada, porém com algum sabor misterioso.

E nesta onda também são “Some Kind Of Love”, a faixa-título, “Walking By” e quase todas as outras canções do álbum. É aquela coisa: Dido correspondendo ao desejo de seus ouvintes, o de não mudar em nada o time que está ganhando. Mesmo depois de tanto tempo. Dido, inteligente, cumpre esta expectativa totalmente.

Ouça primeiro: “Friends”.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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