Capinam 80 anos – Memórias da ditadura em série

Foto – Victor Carvalho

 

O poeta, músico e intelectual baiano José Carlos Capinan resgatará memórias de sua criação artística no período da ditadura militar brasileira (1964-1985), em nova série “O Silêncio que Canta Por Liberdade”. Dirigida por Úrsula Corona e idealizado por Omar Marzagão, ela tem estreia prevista para o segundo semestre do ano. Um dos principais letristas da Tropicália (1967), Capinan completou 80 anos de vida na última sexta-feira (19).

 

“O Silêncio que Canta por Liberdade” aprofundará o debate sobre as restrições que os órgãos de informação e repressão impuseram à música produzida no nordeste brasileiro. Capinan trará à tona histórias inéditas que envolvem alguns de seus principais receios à época, dentre eles as delações. O depoimento foi concedido no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, em Salvador, considerado o único no país dedicado exclusivamente à valorização da memória Afro-Diaspórica.

 

 

Os oito episódios são cheios de documentos originais e imagens de arquivos, intercalados por depoimentos de Gal Costa e Gilberto Gil, entre outros músicos. O produtor cultural que assina a obra Omar Marzagão é filho do criador do Festival Internacional da Canção Popular, no qual Capinan concorreu com a canção “Gotham City” (1969), composta em parceria e interpretada por Jards Macalé.

 

Omar também é idealizador da série “O Mago do Pop” (2019), que homenageia o arranjador Lincoln Olivetti. Úrsula Corona acumula diversos personagens na teledramaturgia Brasil-Portugal, a destacar “O Astro (2011) e “Ouro Verde” (2017), eleitas “Melhor Novela do Mundo” pelo Emmy Internacional.

 

“O Silêncio que Canta por Liberdade” é uma obra original da Sete Artes Produções coproduzida com Luni Produções, SUPER 8 e Círculo Filmes.

 

José Carlos Capinan tem passagens pela comunicação, gestão pública, música, cinema e artes. Atualmente, se concentra em abrir as portas e a interatividade do Muncab diante da pandemia e das dificuldades no setor cultural a nível federal.

Formado em Teatro, Medicina, Pedagogia e Direito assina roteiros, letras e textos para a Sinfonia da Cidade de Salvador, produções de shows de Gal Costa, Macalé, Luiz Gonzaga, além de parcerias e composições com Tom Zé, João Bosco, Caetano Veloso, Edu Lobo, Fagner, Francis Hime, Geraldo Azevedo, Gereba, Gilberto Gil, João Bosco, Macalé, Moraes Moreira, Paulinho da Viola, Robertinho do Recife, dentre outros. Entre os seus muitos hits, destaque para alguns como Soy Loco Por Ti América, Papel Machê, Ladainha e Viramundo.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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