The Weeknd – After Hours

 

 

 

Gênero: Eletrônico, R&B

Duração: 56 min.
Faixas: 14
Produção: Abel Makkonen Tesfaye
Gravadora: Universal

4 out of 5 stars (4 / 5)

 

Rapaz, este “After Hours”, quarto disco do The Weeknd estava tão esperado quanto a chegada do messias. Fãs em polvorosa ao redor do mundo, críticos gringos dizendo que era a redescoberta da Pedra de Rosetta, enfim, um enorme hype, que já me fazia antipatizar com o álbum sem tê-lo ouvido, um defeito, eu sei. Os primeiros comentários sobre o trabalho davam conta de que The Weeknd se arriscara fortemente em vários momentos, inserindo timbres mais pop e mais arejados em sua receita claustrofóbica de R&B gelado, cheio de teclados, filtros, efeitos, autotunes e demais parafernálias de estúdio. Ouvi umas boas vezes as 14 faixas do álbum e posso garantir: “After Hours” é muito bom quando ousa. Nos momentos em que temos o mais do mesmo, é quase impossível não pular as faixas.

 

Abel é produtor tarimbado e bom vocalista. Forjou uma marca sonora com seus trabalhos, emprestou esta estética para gente como Drake desenvolver e levar adiante. Só que The Weeknd não é rap, é pop/R&B nos moldes dos anos 2010/20, ou seja, soterrado por teclados e todo o arsenal que mencionei aí em cima. Fica difícil escapar da mesmice, sendo assim, é extremamente bem-vinda a iniciativa de modificar este padrão. E, sim, a ideia de colocar algumas “novidades oitentistas” na receita dá um frescor importante ao todo, trazendo um interesse renovado pelo que temos aqui.

 

Sendo assim, dentro desta lógica, detectei cinco faixas em que The Weeknd “pensa fora da caixa” e consegue implementar novos timbres e programações em suas canções. “Hardest To Love” é uma faixa que seria uma balada bem resolvida nos anos 1980, mas aqui ela recebe uma programação de bateria eletrônica assumidamente sintética, riff de teclado digno de um Foreigner e uma dinâmica que a torna uma pequena belezura sacarinada. “Blinding Lights” poderia ser uma canção do Billy Idol sem as guitarras, tem andamento rápido, teclados sensacionais e uma pinta descarada de alguma faixa de trilha sonora daqueles tempo, tipo “Top Gun” ou “Miami Vice”. Na mesma pegada está “In Your Eyes”, que tem um andamento em midtempo, deslavadamente pop, totalmente parecida com o padrão oitentista de canção feita paras as paradas de sucesso radiofônicas.

 

“Save Your Tears” é uma canção tecladeira épica, que poderia ser feita pelo fictício grupo Pop, de “Letra e Música”, ainda que tenha um tom solene deslavadamente canastrão, que funciona loucamente bem. A faixa- título encerra este G5 de faixas ótimas, ainda que esteja muito mais próxima do parâmetro habitual de The Weeknd, ela está destacada por conter uma alteração simpática de andamentos e muita criatividade no uso dos timbres e detalhes. “After Hours” está disponível também numa versão de luxo cin alguns bons remixes para as já mencionadas “Blinding Lights”, “Save Your Tears”, “Heartless”, “After Hours” e “Scared To Live”.

 

É o disco mais diversificado de The Weeknd, abrindo espaço para interessantes detalhes em seus arranjos, evidenciando o amor pela estética tecnopop/synthpop oitentista, levada aqui como influência máxima. Vale a conferida.

 

Ouça primeiro: “Save Your Tears”

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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