Star Trek Discovery – Agora Vai?

A mais recente franquia de Star Trek causou divergências quando estreou em 2017. Fãs
tradicionais torceram o nariz, enquanto outros, nem tão cascudos, gostaram do que viram.
E gente nova também detestou, mas outros, mais velhos, também curtiram. Ou seja, como
vemos, ainda não temos uma opinião formada em relação a Discovery. E agora estamos diante
de uma segunda temporada sensacional, que está tornando tudo ainda mais confuso.

Os argumentos contrários à série batiam na mesma tecla: uma visão de futuro que não
combina com o otimismo clássico que Star Trek sempre demonstrou. Todas as outras séries
inspiradas no universo concebido por Gene Roddenbery têm na esperança de um futuro melhor
o seu ponto em comum. Este traço está presente em diferentes intensidades e formas, às
vezes mais – como na série clássica – às vezes menos, como em Deep Space Nine, por
exemplo. Daí chega Discovery com toneladas de efeitos especiais barra pesada, time de
roteiristas jovens e cheios de marra e uma história às vezes estapafúrdia, na qual o
personagem central é uma meia-irmã de Spock, Michael Burham, vivida pela atriz americana
Sonequa Martin-Green. Além disso, a nave também trazia um motor revolucionário de
deslocamento espacial nunca antes visto ou mencionado em qualquer episódio de qualquer
série de Star Trek. Daí a má vontade veio quase automaticamente.

A primeira temporada encerrou-se com um aceno à recente revisão dos filmes inspirados em
Star Trek no cinema, produções de JJ Abrahams, que reacenderam o interesse pela história
original de Kirk e Spock à frente da tripulação da Enterprise. Só que Discovery, mesmo
anterior a esses eventos, mostrava uma concepção visual muito mais avançada, culpa do
amor exacerbado aos efeitos visuais em detrimento de uma fidelidade maior à trama.

O fato é que a segunda temporada chegou para recolocar as coisas nos devidos lugares.
Fica difícil falar sem dar algum spoiler, por isso, fique atento a partir daqui.

O capitão original da Enterprise, Chris Pike, chega para participar do arco inicial da
nova temporada. Sendo assim, a Discovery passa a tê-lo como oficial superior, ficando o
kelpiano Saru como imediato. Burham é a oficial de ciências da nave. E a história é
misteriosa e legal: várias explosões catastróficas são detectadas na galáxia e a
Discovery é enviada para averiguar. Enquanto isso, Spock está foragido de uma instalação
psiquiátrica da Federação porque teve alucinações com as mesmas explosões antes delas
acontecerem.

Durante a investigação a Discovery já topou com um planeta habitado por refugiados da
Terra do século 21 e com uma esfera senciente à beira da morte, preocupada em transmitir
seu legado de mais de 100 mil anos de vida. Isso é Star Trek em toda a sua plenitude.
Por outro lado, o último episódio já mostrava os péssimos klingons concebidos para
Discovery, com aquele ar de seres recém-saídos das cavernas mas com capacidade para voar
além da velocidade da luz. A maquiagem continua péssima, exagerada, dispensável.

Entre erros menores e acertos maiores – pelo menos até agora – Discovery está novamente
na Netflix com episódios semanais. O próximo é o quinto. Estamos e estaremos de olho.

Carlos Eduardo Lima

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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