Reconheça o Fascismo

 

Luiz Antônio Simas é um escritor, professor e historiador carioca. Ele está à frente de vários projetos sobre a identidade suburbana do Rio de Janeiro, especialmente livros, ações relativas ao samba e às religiões afro-brasileiras.

 

Em 07 de fevereiro, publicou em seu perfil do Facebook uma lista de características do fascismo e como seria se ele se estabelecesse no Brasil. Achei tão sintético e bem articulado que decidi reproduzir aqui os itens enumerados por Simas.

 

Serve de alerta. E muito.

 

 

Sobre o fascismo:

1- O fascismo é um regime ancorado em organizações de massa. Se articula com setores do grande capital e da pequena burguesia urbana e elabora um discurso de superação dos conflitos de classe em nome da unidade nacional.

 

2- O estado fascista persegue, desarticula e proíbe organizações da sociedade divergentes da linha traçada pelo próprio estado.

 

3- O fascismo articula discursos de exaltação ao papel regenerador da violência e fundamenta-se na ideologia da defesa da pátria em perigo.

 

4- O fascismo é etnocêntrico, militarista, normatizador de condutas privadas, regulador do cotidiano, pragmático e policialesco.

 

5- O fascismo exalta a união nacional em torno de noções como disciplina, virilidade, coragem, sacrifício e caráter natural da guerra regeneradora ao inimigo.

 

6 – O fascismo fundamenta seu discurso na ideia de um líder purificador, carismático, violento, sacralizado e dotado do espírito de salvação nacional em um contexto de calamidade e vazio de poder.

 

7 – O fascismo cresce em conjunturas de crise coletiva e desqualificação da política institucional, jogando para a vala comum socialistas e liberais como inimigos da nação ( o popular “são todos farinha do mesmo saco”) e operando um discurso de redenção moralizadora por uma terceira via.

 

8 – Tudo isso que citei, baseado no fascismo clássico italiano, me leva a crer que há um caldo de cultura no Brasil propício a, no mínimo, alguma variante do fascismo, quem sabe temperada por proselitismo religioso neopentecostal.

 

9 – Corremos o risco de ver o Brasil abraçar qualquer​ hora dessas um líder catalisador, capaz de acelerar a irrupção de um regime limitador, como no fascismo, das liberdades fundamentais e direitos das minorias. Este líder normalmente critica a política institucional e tem forte apelo carismático.

 

10 – Um regime autoritário legitimado em discursos morais, de similitudes com o fascismo, mas dimensionado por nossas circunstâncias e limitado pelos interesses do mercado, não seria ancorado numa imposição de cima para baixo tão somente. Pelo contrário. Ele seria apoiado por vastos setores da sociedade civil brasileira, pouquíssimo afeita ao jogo democrático, inclusive por segmentos que seriam severamente prejudicados por este próprio projeto.

 

11 – Lutar cotidianamente contra a cadela do fascismo no cio é um compromisso moral com o nosso tempo.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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