Pitacos para o Oscar 2020

 

E estamos na véspera da grande premiação do cinema mundial. A gente já falou bastante dos filmes, viu a maioria esmagadora deles ao longo do ano e, sim, estamos em posição de dar aqueles pitacos bem mandados. Sendo assim, sem mais delongas, vamos às principais categorias, com uma pequena justificativa para a nossa escolha. A cerimônia acontece amanhã, no Kodak Theater, em Los Angeles, com a apresentação de Keanu Reeves.

 

– Melhor Filme – Era Uma Vez em Hollywood – O longa de Quentin Tarantino é, ao mesmo tempo, uma homenagem à virada dos anos 1960/70 na capital mundial do cinema. É um trabalho de reconstituição histórica impressionante, sem falar na liberdade auto-concedida para mexer na história, algo que Tarantino já havia feito em “Bastardos Inglórios” e que apurou aqui. É um filme superlativo, com ótimo roteiro original – do diretor – e atuações muito interessantes, cujo brilho se vê nos detalhes e não em grandes e dramáticas sequências.

 

– Melhor Diretor – Sam Mendes (1917) – O longa de Sam Mendes é de um apuro técnico impressionante. Seu ponto fraco, pelo menos, o que impediu que todos saíssem do cinema com a certeza de verem um vencedor foi, justamente, a ausência de um roteiro à altura do espetáculo. Sendo assim, Mendes deve levar um dos maiores prêmios da noite, especialmente por sua direção milagrosa à frente do filme. O coreano Bong Joon-ho, por “Parasita” e Quentin Tarantino, por “Era Uma Vez Em Hollywood”, correm por fora.

 

 

– Melhor Ator – Se Joaquin Phoenix não vencer com sua interpretação perturbadora de “Coringa”, teremos certeza que a injustiça venceu no mundo. Phoenix fez o papel de sua vida, simples assim. Muito atrás vêm Antônio Banderas (“Dor e Glória”) e Jonathan Price (“Dois Papas”).

 

– Melhor Atriz – Deve ganhar Renée Zellweger por “Judy”, longa no qual ela encarna a atriz Judy Garland. Como eu não vi este filme, acredito que a aposta mais interessante para chegar perto de Renée seja Charlize Theron, por seu sensacional desempenho em “Escândalo”, esse sim, um filme que merecia mais prestígio nas indicações.

 

 

– Melhor Ator Coadjuvante – Outro prêmio praticamente garantido, desta vez, para Brad Pitt, por “Era Uma Vez…”, num ano em que todos os outros concorrentes mandaram bem: Al Pacino e Joe Pesci (ambos por “O Irlandês”), Anthony Hopkins (“Dois Papas”) e Tom Hanks (“Um Lindo Dia Na Vizinhança”).

 

 

– Melhor Atriz Coadjuvante – Apesar de Laura Dern ter vencido o Globo de Ouro e o SAG Awards por seu desempenho em “História de um Casamento”), vou cravar que Margot Robbie, por seu arrebatador papel em “Escândalo”, vai surpreender a todos. Margot protagoniza uma das cenas mais desconcertantes do cinema recente, ao sofrer assédio do magnata das comunicações, interpretado por John Litgow. É impressionante sua performance.

 

 

– Melhor Roteiro Original – Quentin Tarantino deve levar pela extraordinária trama detalhadíssima de “Era Uma Vez Em Hollywood” mas não será surpresa se “Parasita” levar.

 

– Melhor Roteiro Adaptado – Se a Academia der o prêmio para o diretor Taika Waititi e sua sensacional adaptação de “Jojo Rabbit”, baseada no livro “O Céu Que Nos Oprime”, escrito por Christine Leunens, será absolutamente merecido. “O Irlandês”, baseado no livro de Steven Zaillan, adaptado para a telona por Martin Scorsese, é um concorrente a se levar em conta.

 

– Melhor Filme Estrangeiro – Barbada para o coreano “Parasita”, num ano em que os ótimos “Os Miseráveis” e “Dor e Glória” surgiram como produções arrebatadoras.

 

– Melhor Documentário – Nossa torcida está com Petra Costa e “Democracia em Vertigem”.

 

 

– Melhor Canção Original – Mais uma barbada, dessa vez para “I’m Gonna Love Me Again”, de Elton John e Bernie Taupin, presente em “Rocketman”, filme que merecia muitas indicações.

 

– Melhor Trilha Sonora – A trilha de “Coringa”, composta pela islandesa Hildur Gudnadottir, e levou o Globo de Ouro e o SAG Awards, é a favorita, mas eu torço pela presença do sensacional Randy Newman em “História De Um Casamento”.

 

– Melhor Fotografia – A mais impressionante de 2019 foi “O Farol”, mas acho que “1917” deve levar esta categoria, com “Era Uma Vez…” correndo por fora.

 

– Melhores Efeitos Especiais – “1917” é a grande aposta.

 

– Melhor Design de Produção – Parada dura entre “1917” e “Era Uma Vez…” com ligeiro favoritismo para o filme de Tarantino.

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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