O choro de neymarketing e o triunfo argentino

 

 

Já escrevi sobre a absoluta falta de empatia que eu tenho com a seleção brasileira de futebol aqui. E se esta absoluta falta de interesse já existe desde o pós-penta, ela só faz aumentar à medida em que a gente vai vendo uma série de jogadores que não nos dizem nada, que deixaram o nosso país logo que foi possível, para usufruir de uma vida no exterior. Isso seria apenas seguir a lógica de um mercado neoliberal, que tem seu centro na Europa, mas no caso do Brasil, seus atletas, via de regra, compõem uma massa de gente que não tem – ou não teria – estofo mínimo para representar o país.

 

Ou, tristemente, talvez seja exatamente o tipo de representantes que este Brasil atual mereça.

 

Veja, por exemplo, o neymarketing. Chorou ontem ao apito final, que inscreveu a derrota brasileira em casa para a sua arquirrival, a Argentina. Quem pode imaginar que qualquer demonstração de emoção deste sujeito signifique algo pelo qual devamos nos preocupar? Algo que seja pela eventual frustração dos torcedores? Algo que não seja meticulosamente tramado e engendrado para soar como peça de marketing? Eu não imagino. A meu ver, até quando vai ao banheiro, neymarketing está calculando lucros e vantagens de seu ato. E sendo remunerado por marcas e empresas que também pensam assim sobre sua existência: vantagens e lucros são muito mais importantes do que podem oferecer. O camisa 10 brasileiro também já mostrou ser egocêntrico, problemático, mimado, fútil dentro e fora de campo. E quem ainda pensa ou espera algo dele, talvez não entenda o que é o esporte. Qualquer esporte.

 

Não bastasse ser esse tipo de jogador, neymarketing, ainda por cima, é um apoiador/simpatizante do atual ocupante da presidência. Em tempos como os atuais, apoiá-lo é ser a favor de tudo o que ele representa e defende, ou seja, mortes, negacionismo, liquidação do patrimônio público, preconceito, truculência, tortura, violência. Não dá pra desvincular. E se, foi este governo que forçou a barra para que a copa américa se realizasse aqui, num país que caminha para as 600 mil vítimas pela covid-19, neymarketing também apoia e referenda essa postura. Ele e toda a seleção da cbf. Sendo assim, vê-los perder para a Argentina, em pleno Maracanã Desfigurado, a final desse torneio esvaziado, é impagável e sensacional.

 

E a Argentina? Ora, ela não teria nada a ver com isso,mas tem. O futebol tem. Ninguém ignora a importância da Seleção Argentina de futebol, mesmo que a cbf deles, a afa, seja um covil semelhante ao nosso. Mas eles têm Messi, Di Maria, Martinez, De Paul e um monte de outros jogadores que se superaram para vencer o torneio. Esses sujeitos são de um outro nível, seja como desportistas, seja como cidadãos. E ainda temos a justiça histórica sendo feita, uma vez que a Argentina não conquistava um torneio internacional há 28 anos, sem falar na recente morte de Dom Diego Maradona, que, certamente sorriu e entornou todas lá onde está. Ah, em tempo: foi o primeiro título de Messi com sua seleção.

 

Sendo assim, em termos futebolísticos e esportistas, a opção de ontem era: de um lado, o time da cbf, liderado por neymarketing, vestindo o uniforme dos apoiadores do genocida no poder e, do outro, a seleção do país que se recusou a sediar a copa américa, que tem Lionel Messi e outros jogadores, que deram à Seleção Argentina o seu título tão querido. É isso, nada mais.

 

Ah, abaixo está o tweet do ator Ricardo Darin, dando dimensão exata de como nuestros hermanos levaram a conquista a sério, combalidos e com a ideia exata da gravidade do momento pela covid e pela escassez de motivos para se comemorar qualquer coisa.

 

 

 

 

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CEL

Carlos Eduardo Lima (CEL) é doutorando em História Social, jornalista especializado em cultura pop e editor-chefe da Célula Pop. Como crítico musical há mais de 20 anos, já trabalhou para o site Monkeybuzz e as revistas Rolling Stone Brasil e Rock Press. Acha que o mundo acabou no início dos anos 90, mas agora sabe que poucos e bons notaram. Ainda acredita que cacetadas da vida são essenciais para a produção da arte.

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